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A culpa

Hoje a culpa avançou para um estágio em que já não tem exatamente uma forma. É a culpa despersonificada, desvinculada de suas origens, o sentimento em si, acionado mediante certos estímulos que procuro evitar. Talvez esta culpa específica permaneça indefinidamente na sala do inconsciente junto com as outras, anteriores, simultâneas e futuras, que eventualmente também vão se desassociar de suas causas originais. Talvez todas as culpas estejam destinadas a perderem suas formas em algum momento para se mesclarem em uma única substância – a culpa primordial, a mãe de todas as culpas. A culpa que tem a ver com o embate entre os instintos e a renúncia. Que tem a ver com o buscar experiências sem critério, sem contemplação paciente dos fatos.