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135 dias

Organizando os marcadores e outras estruturas deste blog, me dei conta de que ele é uma grande maçaroca. O meu lado metódico é profundamente ferido com tamanha falta de critério, mas quem se regozija é a minha parte desordeira. O blog é um quase perfeito retrato da minha cabeça, que não é nada segregadora. Tudo está intrinsecamente relacionado, amalgamado e, de certa forma, confundido. Um dos meus posts se chama "O artista é fiel", e, bem, senti necessidade de reavaliar alguns pontos pessoais. Por que é que não consigo ser polêmica? Por que é que não consigo desafiar? Há alguns temas dos quais eu gostaria de tratar aqui (ou mesmo em amigáveis debates do dia a dia) e, apesar de saber que não é um espaço muito frequentado, temo a reação. Um artista teme a reação?

Não, ele é fiel... Fiel aos próprios sentimentos, às próprias opiniões, aos próprios instintos. Às vezes sinto que atento contra mim mesma, frequentemente. Dentre os vários âmbitos em que esta autossabotagem me atinge, um deles é o descaso para com a literatura contemporânea. Como posso defender a promoção de artistas da atualidade se eu sequer domino o panorama recente da literatura, que é a minha área? Tenho lido literatura canônica ou não tão canônica assim, mas de autores altamente consagrados, que não precisam da minha recomendação para serem lidos e difundidos. Existe um artigo chamado O classic rock está atrapalhando o rock, principalmente no Brasil, que expõe bem a dificuldade dos artistas da atualidade para se inserirem num universo de nostalgia e repetição do já consagrado. Nada contra música, literatura e cinema antigos, clássicos - pelo contrário, bebo dessa fonte quase que o tempo todo, e essa é a questão problemática. Estou parada no tempo. Um dos obstáculos é a fortuna de opções. Entre tanta gente, do presente, do passado e do passado remoto, quem escolher? Na dúvida, acabo ficando com o "seguro", que é a literatura canônica. Que nem sempre é tão seguro assim. A outra volta do parafuso, um clássico de Henry James, me entediou um bocado. A despeito disso, levei um 10 no trabalho sobre a obra. Fiquei surpresa, porque não escrevi com convicção, entende? Escrevi com técnica. Imaginei como o professor gostaria de receber o trabalho, e fi-lo. Bem, mas com internet fica embaçado encontrar conteúdos de qualidade. É muita coisa, cara! Fico perdida. Acho ótimo que as pessoas tenham meios políticos e materiais de expressar sua opinião, sua arte, seu trabalho, mas o efeito colateral é que, bem, TODO MUNDO tem algo a dizer, mas nem todo mundo tem algo interessante e consistente a dizer, o que dificulta a vida do público. Esse tema ganhou mais relevância para mim quando recebi o seguinte e-mail: 


É claro que fiquei intrigada e é claro que entrei no blog para ler. E estou lendo até hoje, passados 40 dias do "experimento". Para mim, isso é literatura do século XXI. Tirando alguns errinhos e inconsistências que eu mudaria, achei a ideia genial. Sem entrar na questão se isso é real ou não, se esse experimento está de fato acontecendo ou não (meu palpite é que não, ainda que eu ache que pesquisas assim existem, de fato), como ficção é muito interessante. O cara (ou moça, quem sabe) publica um post por dia, como um folhetim moderno. É a famigerada forma que eu gostaria de encontrar! Eu não sei quem é o sujeito ou sujeita e qual o alcance do blog, mas aqui tem uma leitora que entra todos os dias faminta pelo novo post, querendo saber mais, e esse autor/autora vai conseguir que eu passe 135 dias  da minha vida entrando em seu blog e lendo sua obra. Isso é que eu achei incrível. O endereço é: http://135-dias.blogspot.com.br/