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Kerouac, budismo, perspectivas

Jack Kerouac,
escritor norte-americano
Quanto mais procurei me informar acerca do budismo, mais dúvidas foram surgindo, porque é, de fato, um trabalho árduo abandonar o pensamento ocidental para adentrar e compreender as filosofias orientais. Parece inviável praticar algo que vai tão de encontro com toda uma formação assediante de exaltação das sensações, incitação às conquistas materiais, oscilação entre prazer e desprazer; uma formação baseada no acúmulo de informações, exigência de pensamento crítico, posições rígidas e de opiniões formadas - justamente o inverso de "ver as coisas como elas realmente são". 

É pouco provável que, depois de anos aprendendo a classificar (moralmente, talvez) as ações como positivas e negativas, e as pessoas como boas ou más, se consiga viver em sociedade sem discriminar o mundo ao nosso redor. Sem um contato real e aprofundado com as mais diversas culturas, religiões, filosofias de vida, sempre me pareceu ser da natureza humana julgar, reputar e, eventualmente, “vigiar e punir”, tornando impossível um olhar puro e desprovido de deliberação sobre qualquer assunto. Somos encorajados desde pequenos a assumir posições; mas isso pressupõe que, antes da tomada de uma posição, avaliamos todas as opções disponíveis de posições a se tomar, qualificando-as como admissíveis ou inadmissíveis de acordo com crenças políticas, religiosas, etc. 

Como, depois de me desenvolver numa civilização ocidental e capitalista, num país que se quer laico, numa megalópole altamente globalizada como São Paulo, numa família de classe média baixa que valoriza (e não os condeno por isso, de modo algum) a segurança e a estabilidade – sendo estas duas condições dependentes de um nível financeiro privilegiado – como, com a instrução que recebi e a formação que tenho atualmente, poderia me livrar do apego, dos desejos e, consequentemente, das inconstâncias, que são causas mesmas do sofrimento? 

Como deixar de considerar o eu como algo real e palpável, acreditando ser este meu corpo mutável apenas uma manifestação de uma mente essencial, quando a cada minuto sinto o peso quase insuportável da minha existência nesta cidade e neste modo de vida transtornados? Como conceber a ideia de serem os sentidos e os fenômenos apenas expressões falsas da essência da mente, quando, no fundo, quero acreditar que todas as verdades disponíveis são verdades possíveis, e todas as mais variadas percepções podem, sim, ser reais? 

É claro que essas são apenas perguntas de uma leiga cujo contato com o budismo até agora foi bem precário. Há muito mais ainda a ser estudado, eu sei...

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" (...) a divindade e a salvação de cada pessoa residem dentro dela mesma como indivíduo, e não na associação a alguma denominação ou instituição."

" (...) Kerouac não quer alistar as pessoas em qualquer denominação budista formal, mas sim convertê-las ao propósito essencial da vida, à grandiosa visão de sabedoria da divindade interior, e ao amor e à bondade naturais nos relacionamentos."

"Os seguidores da religião que ele fundou, o budismo, a religião do grande despertar do sonho da existência, somam centenas de milhões hoje em dia."

" (...) 'Não é que eu não ligue para a beleza', ele falou para o sombrio ministro inquiridor, 'ou ignore o poder das alegrias humanas, mas vejo sobre tudo a marca da mudança; por isso meu coração está triste e oprimido; se houvesse certeza de que essas coisas durariam, sem os males da idade, doença e morte eu também pegaria meu quinhão de amor e não encontraria desgosto ou tristeza até o fim. Se você fizer com que a beleza destas mulheres não mude nem murche no futuro, então, embora a alegria do amor possa ter seu mal, ainda assim poderia manter a mente em escravidão. Saber que outros homens ficam velhos e adoecem e morrem seria o bastante para roubar tais alegrias da satisfação: contudo, no caso deles ( sabendo disso), tanto maior seria o descontentamento que preencheria a mente; saber que tais prazeres apressam-se para decair, e da mesma maneira seus corpos; se, mesmo assim, os homens submetem-se ao poder do amor, o caso deles de fato é como o das bestas. Não passa de seduzir alguém com uma mentira vazia (...) Estas, afinal, são as grandes preocupações: a dor do nascimento, velhice, doença e morte; é esse pesar que devemos temer; os olhos veem todas as coisas caindo em decadência, e ainda assim o coração acha alegria em segui-las. Ai! É bem assim! Que sombrio e ignorante este mundo, destituído de entendimento."

" (...) e diga que eu, para escapar do nascimento, envelhecimento e morte, entrei na floresta selvagem da disciplina dolorosa; não que eu vá obter um nascimento celestial, muito menos que não tenha ternura no coração ou que nutra qualquer causa de amargura, mas apenas porque busco o caminho da fuga definitiva."

"Amor de família, sempre prendendo, sempre afrouxando; quem lamenta tais separações constantes o bastante? Todas as coisas que existem devem perecer com o tempo... Então, como a morte permeia o tempo todo, livre-se da morte, e o tempo desaparecerá..."

"Eu temo o nascimento, a velhice, a doença e a morte, e por isso busco encontrar um modo seguro de liberação. E por isso temo os cinco desejos - os desejos ligados à visão, audição, paladar, olfato e tato -, os cinco ladrões inconstantes, roubando dos homens seus tesouros prediletos, tornando-os irreais, falsos e volúveis - os grandes obstáculos, eternamente desarrumando o caminho da paz."

"Se não vale a pena ter as alegrias do céu, muito menos ainda valem os desejos comuns aos homens, que provocam a sede do amor desregrado, e então a perda no desfrute. Como um rei que governa tudo entre os quatro mares e ainda busca algo mais além, assim é o desejo, assim é a luxúria; como o oceano ilimitado, não sabe quando e onde parar. Entregue-se um pouquinho à luxúria, e tal como uma criança ela cresce depressa. Vendo a amargura da dor, o homem sábio pisoteia e destrói os surgimentos do desejo."

"Quão dolorosamente os homens tramam em busca de riqueza, difícil de adquirir, fácil de dissipar, como aquilo que se consegue em um sonho; como pode o homem sábio entesourar tamanho entulho! É isso que torna vil um homem e o açoita e espicaça com dor perfurante; a luxúria degrada um homem, rouba-lhe toda a esperança, enquanto ao longo da noite comprida seu corpo e alma são desgastados."

"A ganância busca por algo para satisfazer seus anseios, mas não existe cessação permanente da dor, pois ao cobiçar aplacar esses desejos nós apenas os aumentamos. O tempo passa e a dor repete-se."

"Embora um homem esteja preocupado com dez mil assuntos, que proveito há nisso, se apenas acumulamos ansiedades? Assim, ponha fim à dor aplacando o desejo, abstenha-se trabalho improdutivo; isso é repouso."

"A inconstância é o grande caçador, a idade seu arco, a doença suas flechas, nos campos da vida e da morte ele caça as coisas vivas como se caça um cervo; quando tem a oportunidade ele tira nossa vida; quem então esperaria pela idade?"

"Aproximando-se agora de seu momento de perfeição em sabedoria e compaixão, o jovem santo viu todas as coisas, homens sentados em bosques, árvores, céu, diferentes visões sobre a alma, diferentes eus, como uma única vacuidade unificada no ar, uma flor imaginária, cujo significado era unidade e indivisibilidade, tudo da mesma matéria de sonho, universal e secretamente pura.
Ele viu que a existência era como a luz de uma vela: a luz da vela e a extinção da luz da vela eram a mesma coisa."

"Veio a Buda naquelas horas a compreensão de que todas as coisas vêm de uma causa e vão para a dissolução, e portanto todas as coisas são impermanentes, todas as coisas são infelizes e, por conseguinte e mais misterioso, todas as coisas são irreais."

"Sabendo muito bem que a essência da existência é a talidade, qual nascimento poderia não ser lembrança de sua existência da mente luminosa, misteriosa, intuitiva? Como se ele tivesse sido todas as coisas, e apenas porque nunca tinha havido um verdadeiro "ele", mas todas as coisas, e assim todas as coisas eram a mesma coisa, e estavam dentro da esfera da mente universal, que era passado, presente e futuro da apenas mente."

"Então, na vigília do meio da noite, ele alcançou o conhecimento dos anjos puros e contemplou cada criatura diante de si como alguém que vê imagens em um espelho; todas as criaturas nascem e nascem de novo para morrer, nobres e plebeus, pobres e ricos, colhendo o fruto da ação boa ou má e compartilhando de felicidade ou desgraça como consequência. 
Ele viu como más ações deixam causa para arrependimento e o desejo inominável de reparar e rearrumar a ruindade, energia inicial para se retornar ao estágio do mundo; ao passo que boas ações, sem produzir remorso e não deixando substrato para dúvida, se desvanecem na Iluminação."

"E ele viu aqueles renascidos como homens, com corpos como um esgoto imundo, deslocando-se sempre entre os sofrimentos mais horrendos, nascidos do ventre para temer e estremecendo, com corpo frágil, suas sensações dolorosas ao tocar qualquer coisa, como se cortados com facas.
Esse vale de dardos, que chamamos de vida, um pesadelo."

"Céu, inferno ou terra, o mar de nascimento e morte revolvendo-se assim - uma roda sempre-rodopiante -, toda carne imersa em suas ondas, lançada aqui e ali sem amparo! Assim, com esses olhos da mente ele considerou cuidadosamente os cinco domínios da vida e a degradação de todas as criaturas que nascem. Ele viu que tudo era similarmente vazio e vão! Sem nenhuma dependência! Como a banana-da-terra ou a bolha."

"Então, assim como alguém que quebra a primeira junta de bambu acha fácil desmembrar todo o resto, tendo discernido a causa da morte como o nascimento, e a causa do nascimento como as ações, ele passou a ver a verdade gradativamente: a morte vem do nascimento, o nascimento vem das ações, as ações vêm do apego, o apego vem do desejo, o desejo vem da percepção, a percepção vem da sensação, a sensação vem dos seis órgãos dos sentidos, os seis órgãos dos sentidos vêm da individualidade, a individualidade vem da consciência. As ações vêm do apego, as ações são feitas por um motivo de necessidade imaginado a que um ser se apega e em nome do qual fez seu gesto; o apego vem do desejo, o desejo vem antes do hábito; o desejo vem da percepção, você jamais desejou uma coisa que não conhecesse, e quando desejou, foi uma percepção do prazer que desejava ou da dor que você detestava com aversão, sendo ambas os dois lados da moeda chamada desejo; a percepção vem da sensação, a sensação de um dedo queimado não é percebida de imediato; a sensação vem do contato dos seis órgãos dos sentidos (olho-visão, ouvido-audição, nariz-olfato, língua-paladar, corpo-tato e cérebro-pensamento) com seus objetos mútuos dos sentidos, de modo que um dedo jamais foi queimado sem ter contato com a chama; os seis órgãos dos sentidos vêm da individualidade, assim como o germe cresce em galho e folha, a individualidade cresce em sua divisão sêxtupla do que originalmente não era nem um nem seis mas mente pura, clara como espelho; a individualidade, vem da consciência, consciência como a semente que germina e origina sua folha individual, e se não fosse a consciência onde estaria a folha?; a consciência, por sua vez, procede da individualidade, as duas estão enlaçadas sem deixar remanescentes; por alguma causa cooperante a consciência engendra a individualidade, enquanto por alguma outra causa cooperante a individualidade engendra a consciência. Assim como um homem e um navio avançam juntos, com a água e a terra mutuamente envolvidas, a consciência origina a individualidade; a individualidade produz as raízes. As raízes engendram o contato dos seis órgãos dos sentidos; o contato outra vez gera a sensação; a sensação gera desejo (ou aversão); desejo ou aversão produzem apego ao desejo ou à aversão; esse apego é a causa das ações; e as ações outra vez geram nascimento; nascimento produz morte outra vez; assim esse ciclo incessante causa a existência de todas as coisas vivas."

"Carma é a personificação da lei inexorável, inflexível, que une ação e resultado, essa vida e a seguinte; carma explica tudo o que concerne ao mundo dos seres vivos, animais, homens, ao poder dos reis, à beleza física das mulheres, à cauda esplêndida dos pavões, às inclinações morais de todo mundo; carma é uma herança do ser senciente, o ventre que o carrega, o ventre ao qual ele deve recorrer; carma é a raiz da moralidade, pois o que fomos nos faz o que somos agora. Se um homem torna-se iluminado, para e percebe a sabedoria perfeita mais elevada e entra no nirvana, é porque seu carma havia se resolvido e estava em seu carma fazer isso; se um homem segue na ignorância, irado, tolo e ganancioso, é porque seu carma ainda não se resolveu e estava em seu carma fazer isso."

"Aquele cujo eu tornou-se extinto está livre da luxúria; o homem autoindulgente é levado por aí por suas paixões, e a busca de prazer é degradante e vulgar.
Mas satisfazer às necessidades da vida não é ruim. Manter o corpo com boa saúde é um dever, pois do contrário não seremos capazes de regular a lamparina da sabedoria e manter nossa mente firme e clara."

"Verdadeiramente iluminado, ele mostrou que não havia individualidade a respeito de riqueza ou pobreza, nem de iluminação ou ignorância, não, nem tampouco de estar vivo ou estar morto. Ele ensinou que um homem não passa de um amontoado de componentes. 
Feito uma fortaleza de ossos, depois ela é coberta de carne e sangue, e ali habitam velhice e morte, orgulho e engano."

"Não existe lugar para 'eu' nem base para enquadrá-lo; de modo que, reconhecendo-se toda massa acumulada de dor - dores nascidas da vida e da morte - como atributos do corpo, e visto que esse corpo não é 'eu', nem oferece base para o 'eu', chega-se então ao grande superlativo, a fonte de paz sem fim. 
O pensamento de 'eu' dá origem a todas essas dores, atando o mundo como que com cordas, mas, tendo se verificado que não existe um 'eu' que possa ser atado, todos os vínculos são então cortados.
Não existem vínculos de fato - eles desaparecem - e ver isso á a libertação.
Não existe 'eu' em absoluto, na verdade."

"A agitada natureza atarefada do mundo - declaro que essa é a raiz de toda dor."

"Tudo é vazio! Nem 'eu', nem lugar para 'eu', pois o mundo todo é como uma fantasia; essa é a maneira de nos considerarmos, como nada mais que um amontoado de qualidades compostas."

"Não causar sofrimento a si mesmo, 'deitando em uma cama de pregos', mas meditar profundamente sobre a futilidade das coisas terrenas, perceber a volubilidade da vida pela recordação constante."

"Os sábios sabem que, embora se possa nascer no céu, não há escapatória das mudanças do tempo e das mudanças do eu, as regras perniciosas até mesmo da existência celestial; seu aprendizado, portanto, é atingir a mente imutável; pois onde não há mudança, há paz."

"A posse do corpo mutável é a base de toda dor.
Conceba um coração, não receba mais dor. Pois luxúria é mudança, luxúria são desejos emparelhados de modo desigual como dois bois cambaleantes, luxúria é a perda de amor."

"A taça da vida é um horror insondável, como beber e beber em um sonho para saciar uma sede além da razão e irreal."

"(...) a essência da mente consciente que discerne e percebe não possui localização definida; não está nem neste mundo, na vastidão dos espaços abertos, nem na água, nem na terra, nem voando com asas, nem caminhando, nem está em lugar algum."

" (...) sempre ensinei a vocês que todos os fenômenos são simplesmente uma manifestação da essência da mente. O mesmo acontece com o que vocês chamam de eu, que é simplesmente uma manifestação da essência da mente.
Se examinarmos a origem de qualquer coisa em todo o universo, vamos verificar que não passa da manifestação de alguma essência primal. Mesmo as folhinhas das ervas, os nós de um fio de linha, tudo; se examinarmos com cuidado, vamos verificar que existe alguma essência em sua originalidade.
A essência das marolas do mar é o mar. Do mesmo modo, a essência dos pensamentos na mente é a mente.
O eu e os objetos e os acontecimentos do eu não são permanentes, como todos os objetos e pensamentos, que são como marolas (...)
Se a essência da mente desaparecesse, não haveria nada e em seres sencientes para discuti-la.
A essência da mente não desaparece porque transcende e está além dos fenômenos e é livre de todos os pensamentos discriminativos de eu e não eu.
Tão logo a mente discrimina, todas as causas e efeitos, desde o grande universo até a poeira fina vista apenas à luz do sol, vêm a ter existência aparente, como marolas formando-se na superfície do mar."

"Enquanto você se agarrar a essa mente-cérebro de consciência discriminadora que depende dos diferentes órgãos dos sentidos como se fosse a mente essencial, enquanto você se agarrar a essa concepção enganadora de pensamento discriminativo baseada em irrealidades, enquanto você continuar confundindo  a delusão como sendo realidade, você não estará livre dos intoxicantes surgidos das contaminações e apegos mundanos e sempre estará submetido à roda de pesar no mundo transmigratório (...)"

"É o corpo que se move e muda, não a mente.
Por que você olha com tanta persistência para o movimento como pertencendo ao corpo e à mente? Por que permite que seus pensamentos surjam e sucumbam, deixando o corpo governar a mente, em vez de a mente governar o corpo? (...)
Quando um indivíduo esquece da verdadeira natureza da mente, confunde os objetos que são como marolas na superfície ilimitada como sendo sua mente no todo, confunde os reflexos dos objetos como sendo sua mente, prendendo-se assim aos infindáveis movimentos inquietos, às mudanças impermanentes e ao sofrimento dos ciclos recorrentes de mortes e renascimentos que são causados por ele mesmo."

"Espaço aberto nada mais é que obscuridade indivisível; a obscuridade indivisível do espaço está misturada com escuridão para parecer formas; as sensações da forma são transformadas em concepções ilusivas e arbitrárias dos fenômenos; e dessas falsas concepções inventadas dos fenômenos desenvolve-se a consciência do corpo."

"Visto que a essência está além de qualquer tipo de concepção, aqueles que fazem isso são dignos de muita piedade."

"A verdade, por assim dizer, é tão vasta que permite dizer que não existe verdade.
Não existe nem verdade nem não verdade; existe apenas a essência. E quanto intuímos a essência de tudo, chamamos isso de mente essencial."

"Os seis órgãos dos sentidos que parecem dividir a percepção em seis tipos de aparências nodosas, mas tão logo desfazemos os nós vemos que ainda é apenas um único lenço de seda, como uma única percepção pura, não importa quantos nós possam ter sido atados e desatados dele."

"Todos os seres sencientes. desde tempos sem princípio, sempre ansiaram por visões e sons musicais belos e sensações bem-aventuradas e sabores requintados e fragrâncias adoráveis, enchendo sua mente pensante com um pensamento atrás do outro e fazendo com que esteja sempre ativa, acreditando que a mente deve ser usada, jamais percebendo que ela está além do uso, jamais percebendo que ela é por natureza pura, misteriosa, permanente e vazio divino; isso faz com que, em vez de seguir o caminho da permanência, sucumbam às cinco contaminações e sigam a corrente de mortes e renascimentos transitórios. Em consequência disso, há vida após a vida, sempre recorrente e sempre cheia de contaminações, impermanência e sofrimento."

"'Concentrar a mente' significa manter-se sábio e puro continuamente, para ver as coisas como elas são e não ser logrado a acreditar em suas respectivas 'realidades', e assim parar de se apegar a elas. É como um homem que acorda no meio da noite para a verdade suprema e final e sacode a cabeça satisfeito dizendo: 'Tudo é a mesma coisa'. Ele acorda de um sono sem sonhos de vazio perfeito e unificado no qual não havia uma concepção de 'unificação perfeita' e vê que todas as cosias criadas são o mesmo que vacuidade, são manifestações superficiais em um mar perfeitamente vazio de realidade único, não são partes individuadas, mas um estado-de-ser total, tudo a mesma coisa."

"'Ele é como alguém que tenta poluir o oceano com um jarro de veneno.'"

"A verdade é mais velha que o mundo, mais pesada que a história, uma perda maior que o sangue, uma dádiva maior que o pão."

"Existe amor no centro de todas as coisas, e todas as coisas são a mesma coisa."

" (...) prepare calmamente um lugar sossegado, não se deixe levar pelo modo de pensar dos outros, não faça concessões para concordar com a ignorância dos outros, siga sozinho, faça da solidão o seu paraíso (...) "

"Guardem seu coração com cuidado - não deem espaço para a apatia! Pratiquem cada boa ação com sinceridade. O homem nascido no mundo é pressionado por todas as dores de uma longa trajetória, incessantemente agitado - sem um momento de descanso, como qualquer lamparina soprada pelo vento!".

"Não se tornem insaciáveis em suas exigências, reunindo com isso dor crescente na longa noite da vida. Muitos dependentes são como as muitas amarras que nos prendem; sem essa sabedoria, a mente é pobre e insincera."