26 de setembro de 2014

Caixas decoradas com recortes de revista


Caixas de sapato e de leite decoradas com recortes de revista. Você só precisa de muitas revistas bem coloridas, cola, tesoura e caixas ou qualquer embalagem bacana que iria para o lixo caso você não as salvasse com a sua criatividade :-)

24 de setembro de 2014

Área de deslazer


Quando me mudei para o Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo, há aproximadamente 15 anos, não havia metade dos edifícios que existem agora. Tem um prédio sendo construído na minha rua, quase em frente à minha casa, há mais de dois anos, se não me engano. Todo esse tempo, é barulho de obra, poeira, caminhão... Como em uma porção de ruas da região. 

Na esquina da minha rua, inclusive, todos os finais de semana pessoas trabalham segurando placas para indicar a venda de apartamentos em um prédio que está sendo construído há, o quê? uns três anos. Pelo jeito as vendas não andam bem.

21 de setembro de 2014

Tá rolando!



De 17 de setembro a 1º de outubro, tá rolando o Festival Indie - Mostra de Cinema Mundial.
Você vê filmes no CineSesc de graça!

O Cinesesc fica na Rua Augusta, 2075.

É necessário chegar lá uma hora antes da sessão para retirar o ingresso.

Confira a programação, retirada daqui:


18 de setembro de 2014

Relato de uma analfabeta política



Eu era uma analfabeta política. Política, para mim, era um palavrão. Até um tempinho atrás, eu não sabia quem eram os candidatos a presidente das eleições deste ano. Todas as vezes que votei, nas eleições anteriores, foi sem ter estudado o panorama político atual e com o sentimento de que nada estava fazendo efetivamente além de contribuir para um sistema falido, corrupto e sem esperanças, que nos dá a ilusão de estar participando ativamente de um processo democrático quando, na realidade, apenas perpetuamos uma condição que não temos poder de alterar. Ou seja, nunca acreditei que o que acontece na vida política do meu país fosse ser reflexo do meu voto. Sempre tive a sensação de que política não é para mim, porque parece distante e inacessível. Sempre tive a convicção de que, quando deixasse esta vida, o mundo estaria ainda pior e mais brutal do que quando cheguei a ele. E também cheguei à conclusão de que renunciar à vida política conscientemente já constituía em si uma posição política - no que, de fato, ainda creio. Porque não é por meio da política que pretendo empreender ações que impactem a coletividade. Tenho outros planos que me soam mais palpáveis e satisfatórios do que participar de movimentos estudantis, partidos, sindicatos. Não pense que estou desmerecendo tais atividades; apenas, por ora, não me vejo funcionando nesses ambientes.

16 de setembro de 2014

Foi apenas um sonho

Foi apenas um sonho a ideia de ir para Paris encontrar um sentido para a vida. A divergência de prioridades fez com que, mais uma vez, April fosse relegada à condição de dona de casa. No fim das contas, quem tomou a decisão definitiva e dispôs o futuro, sem espaço para discordância, foi o homem. Frank é que continuaria ocupando o lugar de chefe de família na hierarquia. Frank é que traria o sustento para casa. 

Além disso, entre a liberdade e a segurança, Frank escolheu a segurança. A estabilidade de um emprego fixo, com um salário alto e reconhecimento profissional. O conforto de viver num bairro melhor. A comodidade do conhecido. A segurança de continuar sentindo-se homem. O homem da casa. O homem provedor. O homem que dá a cartada final. O preço dessa segurança patriarcal e econômica é abrir mão do novo, da nova disposição de papéis, do salto para o desconhecido que os dois estavam prontos para dar, até  Frank receber uma tentadora oferta de promoção na empresa em que sempre trabalhou. Desempenhando uma função da qual nunca gostou, é claro. Seu trabalho é maçante, é brochante, mas, a partir da promoção, a recompensa financeira parece ser o suficiente para uma vida feliz. Parece.

14 de setembro de 2014

135 dias

Organizando os marcadores e outras estruturas deste blog, me dei conta de que ele é uma grande maçaroca. O meu lado metódico é profundamente ferido com tamanha falta de critério, mas quem se regozija é a minha parte desordeira. O blog é um quase perfeito retrato da minha cabeça, que não é nada segregadora. Tudo está intrinsecamente relacionado, amalgamado e, de certa forma, confundido. Um dos meus posts se chama "O artista é fiel", e, bem, senti necessidade de reavaliar alguns pontos pessoais. Por que é que não consigo ser polêmica? Por que é que não consigo desafiar? Há alguns temas dos quais eu gostaria de tratar aqui (ou mesmo em amigáveis debates do dia a dia) e, apesar de saber que não é um espaço muito frequentado, temo a reação. Um artista teme a reação?

11 de setembro de 2014

Impotência

Recentemente assisti a um filme comovente chamado O escafandro e a borboleta. O nome já me intrigava há tempos no Netflix, na categoria Estrangeiros, mas só decidi ver depois de encontrá-lo na lista dos 1001 filmes que você deve ver antes de morrer. Aí dei uma chance.

A história é a de um editor de revista famoso e rico, que sofre um acidente cerebral numa condição raríssima chamada Síndrome do Encarceramento, em que a pessoa tem todos os movimentos do corpo paralisados, exceto os olhos. E a atividade cerebral continua normalmente! Então o cara enxerga, ouve, pensa, lembra, raciocina, cria, mas não pode falar nem mover um músculo. Nada. Que sensação de impotência! O filme é maravilhoso, tem uma fotografia invejável (y yó qué sé para fazer análise cinematográfica?), e quando o protagonista decide escrever um livro (!) utilizando um método de comunicação muito peculiar, meus olhos encheram de lágrimas. É assim: a moça, cuja especialidade esqueci o nome, vai falando as letras do alfabeto, porém em ordem de frequência de uso, e o protagonista vai piscando nas letras que quer escrever. 

10 de setembro de 2014

Devagar e sempre

Abri o arquivo em que está o feto do meu novo livro, dei uma passada de olhos e nada aconteceu. Ainda não é hora de correr? Existem momentos de epifania em que ideias fantásticas pululam na mente, mas não estou em condições materiais de escrever. E quando estou em condições materiais de escrever, as ideias evaporam. Gostaria de diluir as minhas experiências, os insights. Diluir. Como, por exemplo, a desintegração do ego. A morte psicológica. Diluir essa sensação perturbadora na minha literatura. Como? Eu acho que na minha literatura tem que haver a minha essência. Hoje mesmo um colega de trabalho perdeu um amigo querido em um assalto, no meio da madrugada. Ele me disse: poderia ter sido eu, você, qualquer um. É esta forte impressão uma das que eu gostaria de transmutar. Ou como quando o ex-namorado de uma colega se suicidou. Ou como quando um casal morreu queimado dentro de um carro devido a um acidente com cabos de energia, perto da minha casa. Que impacto que sofro pela morte de pessoas que sequer conheci, apesar de, no fundo, não poder dizer que temo a morte. Pode parecer presunçoso, mas não tenho medo de morrer. Não agora. 

8 de setembro de 2014

Faça você mesmo!


Olha que bacana! 

Já faz algumas semanas que, com 5 caixas de frutas de madeira, fiz esse móvel para guardar livros. Ali em cima, a minha gatinha Clarice avalia a qualidade do produto :-)

Para fazer um desses, você precisa de:

- Caixotes de frutas desses que você pode encontrar na rua;
- Alicate para tirar os pregos que ficam para fora da madeira e podem causar dodói;
- Martelo para ajeitar eventuais curvas dos caixotes;
- Lixa para tirar as farpas e deixar os caixotes lisinhos;
- Pincéis e rolo de pintura;
- Tinta metalatex fosco;
- Tinta metalatex acetinado;
- Cola Monta & Fixa da Cascola. 

5 de setembro de 2014

Diário da minha saúde

Depois que fui iniciada na energia Reiki, tive que entrar num período de 21 dias de "purificação", nos quais deveria me alimentar da maneira mais saudável possível e evitar carne vermelha para evitar as toxinas.

Eu já vinha me adaptando a um estilo de vida menos nocivo, mas, como não gosto de passar vontade, e como luto contra a ansiedade que às vezes me ameaça (aperta aquele desejo de comer loucamente!), fui fazendo-o aos poucos. Comecei academia em julho/2013, com dança de salão e musculação, e em um mês abandonei a musculação porque achava um tédio imeeenso. Fiquei então só na dança de salão por vários meses, e faltava frequentemente. Qualquer motivo era motivo para perder o ânimo de ir (e isso que a academia fica a cinco minutos andando da minha casa!). 

3 de setembro de 2014

Disciplina é liberdade

Eu deveria não apenas voltar a escrever, por maior que seja a desconfiança em relação à minha própria escrita, como impor uma disciplina nessa prática. Eu me considero moderadamente disciplinada com, por exemplo, os estudos, o trabalho, a alimentação, os exercícios físicos. Mas quando se trata de trabalhar, de desenvolver a minha arte, por mais que eu saiba que deveria praticá-la diariamente, não consigo ter um método, uma organização. Eu sei que para chegar lá, devo trilhar um caminho, mas é como se, no fundo, eu esperasse chegar lá por milagre. Ah, não, eu não vou chegar lá por milagre. Eu devo me lembrar do Kerouac e seus diários de produção, e seguir seu exemplo. Estabelecer uma meta de palavras diárias ou algo assim. Estabelecer metas é tão mundo corporativo que eu tenho até tremeliques. Eu tenho em mente um livro de contos que, inclusive, já iniciei, mas por falta de responsabilidade artística está parado há semanas, aguardando em estado de... Inércia. Uma infinidade de ideias que tive para inserir nele já se perderam, porque não as registrei, nem mesmo numa notinha de celular. Onde eu espero chegar dessa forma? Eu sei, eu sei, eu simplesmente não consigo acreditar na minha literatura. Eu acredito em mim, na minha vida, nas minhas escolhas, na minha fé, mas no que escrevo... É praticamente impossível. Por que é que permaneço tão incapaz de executar o traslado do meu espírito?

25 de agosto de 2014

Reiki

Quero registrar aqui como tem sido a minha experiência com a energia Reiki.

A primeira vez que ouvi falar sobre essa prática (e prestei atenção) foi numa troca de e-mails com uma familiar chamada Rebeca (obrigada!). Ela me disse que, nas horas extras, trabalhava com terapias complementares como a Auriculoterapia e o Reiki. Sobre este último, me informou que, parar usá-lo, eu deveria antes ser iniciada por um mestre, a fim de abrir os canais energéticos que se encontram no sétimo Chakra, convertendo-me em um canal entre a energia universal e o paciente; sem isso, a energia que se passa ao paciente é a sua própria energia. Rebeca acredita que as terapias alternativas são a medicina do futuro, sem tantos fármacos químicos que fazem bem para uma coisa e mal para outra. Concluindo seu e-mail, Rebeca me enviou um manual em espanhol sobre a prática Reiki.


22 de agosto de 2014

Dois Saramagos e dois filmes alemães

Aparentemente sem conexão, né?

No início desta semana, terminei de ler O ensaio sobre a lucidez (que se seguiu ao Ensaio sobre a cegueira), e também vi dois filmes alemães, A onda e A vida dos outros, este segundo com uma estrutura razoavelmente semelhante à do Ensaio sobre a lucidez. Ainda estou um pouco atordoada das ideias com essas quatro obras de arte.

12 de agosto de 2014

Trechos de Ensaio sobre a cegueira - José Saramago


José Saramago,
escritor português
" (...) A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias dos futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos, para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala (...) "

5 de agosto de 2014

Carlos Drummond de Andrade & E.T.A Hoffmann

As questões a seguir são parte do trabalho final da disciplina Correntes Críticas I, com o professor Marcus Mazzari, no primeiro semestre de 2014

I. O Homem da Areia

E.T.A. Hoffmann,
escritor alemão
O conto O Homem da Areia, de E. T. A. Hoffmann, mostrou-se o mais produtivo para a disciplina Correntes Críticas na medida em que nele foi possível identificar facilmente os elementos da abordagem freudiana. Em seu ensaio “Das Unheimliche”, traduzido para português como O Inquietante, de 1919, Sigmund Freud reflete sobre a natureza do inquietante, sensação ligada ao âmbito do terrível, do angustiante. O psicanalista busca explorar mais profundamente o significado da palavra na língua alemã, trabalhando com a noção de familiar e não familiar. A corrente crítica freudiana leva em conta este conceito de inquietante na literatura, ponderando de que maneira se manifesta dentro da obra literária. Para efeito de estudo, evocamos e tomamos como modelo o conto O homem da areia, um dos mais representativos nesse sentido.

1 de agosto de 2014

Trechos de Memorial do Convento - José Saramago

José Saramago,
escritor português
"Porém, morando o riso tão perto da lágrima, o desafogo tão cerca da ânsia, o alívio tão vizinho do susto, nisto se passando a vida das pessoas e das nações (...)"

" (...) quando o infante ainda era no seu ventre uma gelatina, um girino, um troço cabeçudo, é extraordinário como se formam um homem e uma mulher, indiferentes, lá dentro do seu ovo, ao mundo de fora, e contudo com este mundo mesmo se virão defrontar, como rei ou soldado, como frase ou assassino, como inglesa em Barbadas ou sentenciada no Rossio, alguma coisa sempre, que tudo nunca pode ser, e nada menos ainda. Porque, enfim, podemos fugir de tudo, não de nós próprios."

25 de julho de 2014

A casa dos náufragos

O ensaio a seguir é o trabalho final da disciplina Literatura Hispano-Americana - Leituras Específicas, com a professora Idalia Morejón, no primeiro semestre de 2014

LOS ESPACIOS SOCIALES EN “LA CASA DE LOS NÁUFRAGOS”,
DE GUILLERMO ROSALES

Guillermo Rosales,
escritor cubano
En las últimas páginas de la novela La casa de los náufragos, la investigadora Ivette Leyva Martínez relaciona la vida del autor Guillermo Rosales con su obra literaria y cita una entrevista de la revista Mariel en que el escritor legitima su visión apocalíptica de la realidad: “creo que la experiencia de quien vivió en el comunismo y en el capitalismo y no encontró valores sustanciales en ninguna de ambas sociedades (sic) merece ser expuesta”. 

20 de julho de 2014

Trechos de 1984 - George Orwell

George Orwell,
escritor e jornalista inglês
"Que coisa bonita, a destruição de palavras! Claro que a grande concentração de palavras inúteis está nos verbos e adjetivos, mas há centenas de substantivos que também podem ser descartados. Não só os sinônimos; os antônimos também. Afinal de contas, o que justifica a existência de uma palavra que seja simplesmente o oposto de outra? Uma palavra já contém em si o seu oposto. Pense em "bom", por exemplo. Se você tem uma palavra como "bom", qual é a necessidade de uma palavra como "ruim"? "Desbom" dá conta perfeitamente do recado. É até melhor, porque é um antônimo perfeito, coisa que a outra palavra não é. Ou então, se você quiser uma versão mais intensa de "bom", qual é o sentido de dispor de uma verdadeira séria de palavras imprecisas e inúteis como "excelente", "esplêndido" e todas as demais? "Maisbom" resolve o problema; ou "duplimaisbom", se quiser algo ainda mais intenso. (...)
Você não vê que a verdadeira Novafala é estreitar o âmbito do pensamento? No fim teremos tornado o pensamento-crime literalmente impossível, já que não haverá palavras para expressá-lo. Todo conceito de que pudermos necessitar será expresso por apenas uma palavra, com significado rigidamente definido, e todos os seus significados subsidiários serão eliminados e esquecidos.  (...) Menos e menos palavras a cada ano que passa, e a consciência com um alcance cada vez menor."

15 de julho de 2014

Machado de Assis & Charles Baudelaire

O ensaio que se segue é meu trabalho final de análise comparativa entre Machado de Assis e Charles Baudelaire para a disciplina Relações Literárias Brasil-França, com o professor Alexandre Bebiano, no primeiro semestre de 2014

A LITERATURA COMO MERCADORIA EM CHARLES BAUDELAIRE E MACHADO DE ASSIS

Machado de Assis,
escritor brasileiro
Machado de Assis foi um dos primeiros escritores a ter uma visão aguda e irônica sobre o papel e a força do jornal na literatura de sua época. Sua reflexão crítica, no Brasil, é equivalente a de Baudelaire, na França, e é por isso que, para este trabalho, selecionamos um texto jornalístico de cada autor, a fim de analisar os recursos empregados por eles para ponderar sobre o novo panorama da literatura no século XIX, tendo em vista as mudanças sociais e políticas por que passavam Brasil e Europa, tanto em termos de imprensa quanto em termos de industrialização e produção acelerada.

10 de julho de 2014

Trechos de O gênio e a deusa - Aldous Huxley

"- O mal a ficção - disse John Rivers - é que ela faz sentido demais. A realidade nunca faz sentido.
- Nunca? - contestei.
- Talvez do ponto de vista de Deus - concedeu ele. - Do nosso, nunca. A ficção tem unidade, a ficção tem estilo. A realidade não possui nem uma coisa nem outra. Em seu estado bruto, a existência é sempre um infernal emaranhado de coisas (...) O critério da realidade é a sua incongruência intrínseca."

5 de julho de 2014

Machado de Assis & Henry James

O ensaio que se segue é meu trabalho final de análise comparativa entre Machado de Assis e Henry James para a disciplina Literatura Comparada, com o professor Marcelo Pen Parreira, no primeiro semestre de 2014

O objetivo deste trabalho consiste em analisar e comparar dois autores do século XIX: o brasileiro Machado de Assis, com a obra Dom Casmurro (1899), e o norte-americano Henry James, com a obra A outra volta do parafuso (1898). Embora seja a primeira um romance e a segunda uma novela, ambas as obras apresentam extensão relativamente similar e são extremamente ricas para efeito de estudo da forma. Em seguida, consideraremos brevemente alguns aspectos extraliterários de sua composição.

24 de junho de 2014

Desterrada del fluir cósmico...


Por Aline Veingartner
Citação: Octavio Paz

15 de junho de 2014

Ensaio sobre Ferreira Gullar

O ensaio que se segue é o meu trabalho final da disciplina Teoria Literária I, com a professora Viviane Bosi, para o primeiro semestre de 2014.

A ESPERANÇA CLANDESTINA EM FERREIRA GULLAR

Ferreira Gullar,
poeta brasileiro


“E sobretudo é preciso
trabalhar com segurança
pra dentro de cada homem
trocar a arma da fome
pela arma da esperança.”
(A bomba suja)

            

No ensaio Traduzir-se, Lafetá propõe-se a observar a forma como o poeta Ferreira Gullar conjuga a natureza íntima e subjetiva de sua obra poética com a preocupação social e política do momento histórico em que está inserido, efetuando uma “junção entre timbre pessoal e voz pública” (LAFETÁ, 1982, p. 124). Partindo da hipótese levantada pelo crítico, verificaremos o paralelismo temático-estilístico entre três obras do poeta: Dentro da noite veloz (1962-1975), Poema sujo (1976) e Na vertigem do dia (1975-1980), todas intimamente ligadas à história recente do país.
      

5 de junho de 2014

Meu retrato pela Vamy

Esta sou eu na visão da minha amiga Vamy...

http://vamyliricas.blogspot.com.br/

21 de abril de 2014

Curso de Lírica Grega - Elegia

Começamos o curso de Lírica Grega com a professora Adriane Duarte estudando o gênero lírico conhecido como Elegia. 

LÍRICA

Vimos que o termo “lírica” surge tardiamente na Grécia para denominar o conjunto de poesias que não são épica nem dramáticas. Mais tarde, no século XIX, passou a ser associada ao reino da subjetividade e experiência do indivíduo. O termo, no entanto, é insuficiente, gerando debates intensos. 

20 de abril de 2014

O velho mundo desce aos infernos - Dolf Oehler

O ensaio que veremos a seguir trata da paradigmática revolução de 1848 na França, uma das muitas que ocorreram no século XIX na Europa. Esse ano criou um trauma na psique coletiva da nação francesa e foi reprimido. A revolução está divida em duas etapas:

19 de abril de 2014

O nome e a natureza da literatura comparada - René Wellek


René Wellek,
crítico literário
René Wellek dá partida ao seu ensaio propondo-se a distinguir os significados da expressão “literatura comparada” por meio da lexicografia e semântica histórica.  Pretende, portanto, fazer um panorama das características e dificuldades dessa disciplina, assumindo uma perspectiva ampla e sem perder o rigor metodológico. Seus elementos fundamentais são: crítica, história e teoria. 

17 de abril de 2014

Questões de forma - Roberto Schwarz

Em as Ideias fora do lugar, vimos que Schwarz analisou a disparidade histórica entre a sociedade brasileira do século XIX e as ideias do liberalismo europeu, defendidas desde o Iluminismo, como a liberdade do trabalho, a igualdade perante a lei, a noção de universalismo e a autonomia do sujeito.

16 de abril de 2014

Literatura e sociedade - Antonio Candido

Antonio Candido,
sociólogo, literato e professor
universitário brasileiro
Veremos, nos dois ensaios a seguir, reflexões de Antonio Candido sobre tensões da literatura entre os séculos XIX e XX. 

A literatura, para o autor, é um sistema vivo de obras, agindo uma sobre as outras e sobre os leitores. O ato de escrever por si só não configura literatura, pois o autor depende sempre do público (que é uma massa abstrata, “imaginada”.). Haveria então uma relação entre o eu e o outro. Escrever e ler seriam correlativos dialéticos, pois escrever é propiciar a manifestação alheia.

15 de abril de 2014

Brasil, por Vanessa Jukemura

http://vamyliricas.blogspot.com.br/

14 de abril de 2014

Nação e reflexão - Paulo Arantes

O ensaio estudado abaixo é a teoria de Benedict Anderson aplicada ao Brasil por Paulo Arantes, analisando a relação colonial da perspectiva internacional. Para Anderson, é o nacionalismo que cria as nações, que seriam um artefato constructo, imaginado. Gellner teria sido o primeiro a pensar na ideia de nação com invenção, criação. Anderson aperfeiçoou a ideia, sugerindo que teria sido criada nas colônias e ex-colônias. A partir da independência americana, as colônias passaram a se separar e a formar nações. Assim, o sistema colonial teria sido um dos fatores explicativos para a ideia moderna e burguesa de nação. Os movimentos pela independência nas colônias foram feitos pelas elites, o que marca seu caráter ambíguo, pois se opõem à metrópole, mas continuam subjugado índios e africanos. De um lado, o creollo sente-se irmanado com o subalterno; de outro, segue explorando-o.

12 de abril de 2014

Banda Batuntã

Dia 11 de abril de 2014.

A primeira novidade foi o Auditório do Ibirapuera. Edifício lindíssimo do Niemeyer.



A segunda novidade foi este espetáculo:


Nunca tinha ouvido falar. Fui chamada por acaso por uma amiga e topei ir sem ouvir nada antes para não estragar a surpresa. E que surpresa!

A banda é de 1999. Uma mistura de percussão, instrumento de sopro, teclado, baixo, voz, garrafas, peças de carro... 


No SITE da banda, dá pra ouvir o som deles, fazer download e ver vídeos.


Eu particularmente gostei de uma música chamada Drum'n Braço. E tem disponível no Soundcloud também.

11 de abril de 2014

Trabalho jornalístico de Machado de Assis

Lucia Granja inicia seu ensaio “Introdução geral à crônica de Machado de Assis” expondo um panorama do trabalho jornalístico de Machado de Assis no começo de sua carreira, que passou por jornais de cunho político, literário, comercial e humorístico, principalmente. A ênfase da análise, porém, está nas crônicas, críticas e agudas, publicadas pelo escritor no Diário do Rio de Janeiro. 

2 de abril de 2014

Crônicas e fait divers

O longo ensaio de Marlyse Meyer já parte de uma afirmação contida no próprio título: “de variedades e folhetins se faz a chronica”. As subdivisões do ensaio são: Machado de Assis, folhetins e folhetinistas; À busca da “nova identidade”; O “folhetins”: um espaço vazio e Concluindo, que, por sua vez, são divididas em subtópicos. 


20 de fevereiro de 2014

Nietzsche

Minha relação com Nietzsche é recente e dúbia. Já não é tanto uma questão de concordar ou discordar, como eu provavelmente faria se fosse antes, mas sim de selecionar em sua obra o que me interessa ou não para, assim, compor o meu fluido e em constante transformação universo de ideias e perspectivas – algo como “afinidades eletivas”. Sua leitura é, como bem pontuam alguns, dura: é preciso não só ter um repertório razoável em diversas áreas do conhecimento como ainda teimar e golpear cada enunciado a fim de quebrar os bloqueios que nos separam de uma compreensão mínima.

19 de fevereiro de 2014

Influência europeia no Brasil dos séculos XIX e XX

A reflexão proposta por Roberto Schwarz em “As ideias fora do lugar” foca-se especialmente no antagonismo observado entre a sociedade brasileira escravista e agrária do século XIX e a ideologia mais valorizada da época: o liberalismo europeu. O Brasil, recém-emancipado, era ainda um país dividido em latifúndios que dependiam essencialmente do trabalho escravo e do mercado externo. Suas instituições, ainda que proclamassem as teorias do estado burguês moderno, eram regidas pelo clientelismo e as relações de favor. Assim, convém concordar que “no Brasil as ideias estavam fora de centro, em relação ao seu uso europeu”. (SCHWARZ, 2008)

7 de fevereiro de 2014

Raduan Nassar

Raduan Nassar,
escritor brasileiro
Um copo de cólera

" (...) sem contar que ela, de olho no sangue do termômetro, se metera a regular também o mercúrio da racionalidade, sem suspeitar que minha razão naquele momento trabalhava a todo vapor, suspeitando menos ainda que a razão jamais é fria e sem paixão, só pensando o contrário quem não alcança na reflexão o miolo propulsor, pra ver isso é preciso realmente ser penetrante, não que ela não fosse inteligente, sem dúvida que era, mas não o bastante, só o suficiente, e eu poderia atrevido largar às soltas o raciocínio, espremendo até o bagaço o grão do seu sarcasmo, mas eu não falei nada, não disse um isto, tranquei minha palavra, ela não teve o bastante, só o suficiente, eu pensava, (...) "

14 de janeiro de 2014

Kerouac, budismo, perspectivas

Jack Kerouac,
escritor norte-americano
Quanto mais procurei me informar acerca do budismo, mais dúvidas foram surgindo, porque é, de fato, um trabalho árduo abandonar o pensamento ocidental para adentrar e compreender as filosofias orientais. Parece inviável praticar algo que vai tão de encontro com toda uma formação assediante de exaltação das sensações, incitação às conquistas materiais, oscilação entre prazer e desprazer; uma formação baseada no acúmulo de informações, exigência de pensamento crítico, posições rígidas e de opiniões formadas - justamente o inverso de "ver as coisas como elas realmente são". 

13 de janeiro de 2014

Uma espiã na casa do amor - Anaïs Nin

Anaïs Nin,
escritora nascida na França
Imagine um livro que você pensou ter escolhido ao acaso.

Eu estava na Festa do Livro da USP, edição 2013, e, como de costume, fui fazer compras na tenda da L&PM como quem compra cacarecos numa loja de R$ 1,99 só pelo preço, sem saber se vai realmente usar um dia.

(Mas é claro que pretendo ler todos meus livros um dia... Inclusive, os da L&PM acabam sendo sempre os primeiros na fila.)

Então estava lá, já havia pego Nietzsche, Kerouac, Schopenhauer... E vi Anaïs Nin. Havia um único título da autora disponível na editora. Eu já tinha ouvido falar, acho que nunca dei muita bola... Mais de uma pessoa já havia dito que talvez eu gostasse, mas, sabe?, tinha tanta coisa pra ler antes...

E porque achei que dessa vez a L&PM estava fraca de livros, acabei pegando Uma espiã na casa do amor. VAI QUE.