31 de outubro de 2013

Asas do desejo

De longe, um dos melhores filmes que já vi.



“Quando a criança era criança, não sabia que era criança. Tudo era cheio de vida e a vida era uma só. Quando a criança era criança, não tinha opinião, não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, saía correndo, tinha um redemoinho no cabelo e não fazia pose para foto. (...) Quando a criança era criança, era tempo destas perguntas: Por que eu sou eu e não você? Por que estou aqui e não lá? Quando começou o tempo e onde termina o espaço? Será que a vida sob o sol nada mais é que um sonho? Será que o que eu vejo, escuto e cheiro não é apenas uma miragem do mudo anterior ao mundo? Será que realmente existe o Mal e pessoas malvadas? Como é possível? Eu, que sou eu, não existia antes de existir. E, no futuro, eu que sou eu, não serei mais quem eu sou.”

30 de outubro de 2013

Os subterrâneos - Jack Kerouac



"(...) em outras palavras esta é a história de um homem auto desconfiante, e ao mesmo tempo de um egomaníaco, naturalmente, não adianta bancar o engraçadinho - melhor começar no começo e deixar a verdade vazar aos poucos, isso."

22 de outubro de 2013

Café filosófico: A ética nos relacionamentos, com Claudio Cohen

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta palestra com Claudio Cohen. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

"Uma importante distinção entre ética e moral. Enquanto a moral vem de fora, do social, a ética nasce do indivíduo, vem do ego - pois depende de uma personalidade estruturada - enquanto a moral é superegóica, já que se trata de uma imposição do ambiente introjetada nos indivíduos. O programa toca também em questões importantes dos nossos tempos que envolvem a ética, como a clonagem, as células-tronco e o aborto. Cláudio Cohen: professor da USP, diretor da comissão de ética da Sociedade Brasileira de Psicanálise e presidente da Comissão de Bioética do Hospital das Clínicas. O programa Café Filosófico é uma produção da TV Cultura em parceria com a CPFL Energia."

21 de outubro de 2013

Harold and Maude - Diálogos

Harold and Maude é um filme estadunidense de drama e romance de 1971 dirigido por Hal Ashby. Estrelando Ruth Gordon e Bud Cort, o filme tem em seu enredo elementos de drama existencialista misturado com humor negro. A trama se desenvolve em torno dos dilemas do jovem Harold (Bud Cort), que simula diversas vezes a sua própria morte. Harold, que vivia com a mãe separada (Vivian Pickles), a qual tenta encaminhá-lo um casamento, sai de casa e começa um relacionamento com um mulher de 79 anos, Maude (Ruth Gordon).


- Conte-me, Harold, como você se diverte? Que atividade lhe dá a nítida sensação de se divertir? O que lhe dá aquela satisfação especial?

- Eu vou a enterros.

20 de outubro de 2013

Café Filosófico: A utopia do autoconhecimento, com Ricardo Goldenberg

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta conferência com Ricardo Goldenberg. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

"Conhece-te a ti mesmo" era a inscrição da porta do oráculo de Delfos, na antiga Grécia. Este conselho do oráculo grego ganhou novo sentido com a psicanálise. Freud encontrou pistas importantes para a investigação de quem somos. Neste programa, o psicanalista Ricardo Goldenberg mostra como a psicanálise pode ajudar a responder a pergunta 'Quem sou eu'?

Para Goldenberg, a psicanálise deve apostar na nossa capacidade de responder a esta pergunta e de criar sentidos para a nossa vida.

Palestra de Ricardo Goldenberg no programa Café Filosófico CPFL gravada no dia 26 de junho de 2009, em Campinas."

17 de outubro de 2013

Café Filosófico: A preguiça e a melancolia, com Oswaldo Giacoia

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta palestra com Oswaldo Giacoia. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

“Em nossas sociedades pós-industriais contemporâneas, que padecem as primeiras dores de parto de novas formas de vida, o imperativo categórico do sucesso social por meio de performances e rendimentos mantém o ócio sob suspeita e banimento, como algo da ordem do desajuste e anormalidade, a despeito de todas as utopias que celebravam as promessas da tecnologia como a realização da fantasia de uma libertação do homem da escravidão da servidão e da necessidade, como as núpcias entre o trabalho produtivo e o lazer. Seria o caso de se pensar num papel positivo para categorias politicamente ainda descreditadas, como as diferentes modalidades de transgressivas de excesso, prodigalidade, desperdício: o não fazer nada, a total ausência de finalidade e instrumentalização, em ruptura com a exigência de consumo infinito e permanente entretenimento, como um modo inteligente e superabundante de vida, para além da escassez, da penúria e da falta, uma diligência e cuidado de si verdadeiramente dissipatório, capaz de descerrar horizontes para experiências que representassem alternativas mais ricas de subjetivação, à revelia e na contracorrente da compulsão à produtividade, de um ideal de felicidade banalizado como bem estar, segurança, ausência de dor e sucesso social.

Com Oswaldo Giacoia, filósofo e professor brasileiro, atualmente livre docente na Universidade Estadual de Campinas."

16 de outubro de 2013

Eu olhei porque tava todo mundo olhando

Eu olhei porque olharam aí olhei também. Eu olhei porque tava todo mundo parado olhando aí eu não me aguentei parei de andar e olhei e vi o que eu não queria ver e que ficou me atormentando o resto da semana como a visão terrível do que olhei sem querer ver. Eu olhei pra ela e ela olhava pra baixo, ela parecia uma linda garota mas olhava pro celular. Eu a olhava querendo vê-la mas ela olhava pra baixo então não pude ver seu rosto que seria aquilo que eu gostaria de ver caso ela olhasse pra frente ou pra cima. Eu andava olhando pra baixo pro celular deixando de ver o que veria caso olhasse pra frente pros lados pra trás enquanto andava olhando pra baixo pro celular escrevendo isso aqui. Eu havia olhado tanto aqueles olhos procurando ver procurando olhos dentro dos olhos, pupilas dentro das pupilas, buscando o que não se pode ver apenas olhando. Eu queria ver além, além dos olhos além do corpo além de mim. Eu olhei porque tá todo mundo olhando, olhando sem ver, vendo sem olhar, todo mundo procurando com os olhos o que não pode ser visto. Eu olhei a mim mesmo no espelho olhei com toda a força que se pode colocar num olhar sem saber exatamente o que queria ver, a mim mesmo ou o que há além de mim mesmo se é que há algo além, o espelho estava quebrado só podia olhar pedacinhos de mim mesmo que se afastavam e se uniam e não me deixavam ver. Ver.


Engasgo

Corri para ficar no primeiro vagão do metrô da linha amarela pra poder ver os trilhos o caminho a velocidade, aquele miserável prazer urbano de no máximo dez minutos, o funcionário do metrô pediu licença abriu uma placa de botões que eu sequer sabia que existia, me afastou dali ficou mexendo terminou fechou mas não saiu de lá, não pude nem voltar e olhar os trilhos o caminho a velocidade, nem isso eu pude, tive que ficar perto da porta olhando a cara das pessoas meu deus a cara das pessoas, às vezes meu coração aperta tão forte e eu acho que não vou poder viver muito porque é muita coisa acontecendo dentro e fora - dentro e fora - eu sei que eu vivo dizendo que prefiro tudo acontecendo do que nada acontecendo mas é um caminho traiçoeiro porque eu tenho tanta sede de vida mas eu engasgo com a vida mesma, cada gole muitos goles, aquilo que eu mais quero é o que afinal acaba me destruindo e isso quando eu SEI o que eu quero efetivamente já que na maior parte das vezes eu apenas suponho querer. E eu nem sei mais o que seria uma pessoa cuidar da outra porque afinal tá todo mundo querendo ser cuidado precisando ser cuidado mas tá todo mundo no mesmo barco e não dá nem pra alguém dizer vem aqui pro meu que é mais seguro porque todo mundo tá num barco furado e esse é o destino, todos afundam. Mas não liga pro que eu to falando agora to só pensando aqui com meus botões no metrô vendo todas essas pessoas que precisam de cuidado, pensando que sei lá eu ainda quero ter forças ainda quero fingir que meu barco não tá furado e é seguro - mentira mas finja que acredita ou então não sairemos da cama -


15 de outubro de 2013

Não confie tanto

em mim
eu mesma
não confio mais
do que por
dez segundos

(autodesconfiante)

9 de outubro de 2013

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

7 de outubro de 2013

O cheiro do ralo

Vi o filme. Loucura. O livro: ainda melhor.


4 de outubro de 2013

Noites de chuva

O som da chuva nos telhados.
Meu gato ronronando no meu peito.
Um sono tranquilo.


Come on, let me in





3 de outubro de 2013

Como me tornei estúpido

(Ao som do álbum What's going on do Marvin Gaye, uma análise breve e muito, mas muito pessoal e quase nada formal do livro Como me tornei estúpido, de Martin Page, escritor francês)

1.

Frequentemente acontece de eu escutar uma música, ver um filme ou ler um poema, um conto ou um romance, ou mesmo ouvir alguém fazendo um discurso genial que me faz pensar: eu poderia ter dito isso, só não sabia as palavras ou a maneira mais apropriada! Parece que uma entidade invisível capta a essência dos meus pensamentos e sentimentos em relação ao mundo e às coisas e a converte numa linguagem perfeita e simples de se transmitir. Foi o que senti com Como me tornei estúpido antes mesmo de começar a lê-lo, apenas sabendo do que se tratava.

1 de outubro de 2013

Muito prazer, meu nome é otário

Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça