29 de setembro de 2013

Procrastinação

Tava na hora de começar a levantar mais cedo e preparar o café em casa mesmo, em vez de comprar na rua. Afinal, tava na hora de começar a economizar. Tava na hora de começar a deitar mais cedo, pra acordar com mais disposição, porque o sono e o cansaço durante o dia eram insuportáveis e reduziam seu rendimento e produtividade. Deitando e levantando mais cedo, pegaria o ônibus mais vazio, e até poderia ir sentado. Tava na hora de começar a ler um livro e, de preferência, ler até o fim. Se levantasse mais cedo e fosse sentado no ônibus, talvez conseguisse ler um livro inteiro. Tava na hora de começar a estudar, aprender alguma coisa, tirar a poeira do cérebro. Também tava na hora de começar a praticar algum esporte, fazer um cooper no quarteirão, coisa do tipo, pois o médico tinha dito que estava acima do peso e que tinha que se mexer mais, dormir e se alimentar melhor, esse papo de médico. Mas talvez tivesse mesmo na hora de ouvir o papo de médico, porque suas costas doíam que nem o diabo e se sentia cansado e sem ar cada vez que dava uma corridinha até ali. Tinha que mentir cada vez que o pessoal da empresa o chamava para jogar futebol porque não tinha fôlego nem condicionamento e morria de vergonha de admitir, então inventava um compromisso, uma festa na escola do filho, coisa assim. Tava na hora de começar a ir nas festas da escola do filho e parar de mentir dizendo que trabalhou até tarde, quando na verdade foi tomar cerveja com o Zezinho, velho amigo da faculdade. Tava na hora de começar a ajudar o filho nos estudos, a conversar com ele alguma coisa importante sobre aprender e ser alguém na vida, afinal o filho tinha verdadeira dificuldade pra entender as tabuadas, suas notas iam de mal a pior e a única coisa que sabia fazer com maestria era destruir todo e qualquer brinquedo que entrasse pela porta do seu quarto. Caramba, tava mesmo na hora de economizar e pensar em comprar um apartamento, já tava na hora de parar de pagar aluguel, porque o dinheiro só ia embora e não havia retorno, não havia investimento algum. Tava mais do que na hora de começar a pensar no futuro do filho ou, melhor, no seu próprio futuro, mas pra pensar no futuro do filho ou no seu tava na hora de dar um jeito no presente. Talvez tivesse na hora de mudar de emprego, ou pedir um aumento, uma promoção. Tava na hora de fazer por merecer! Tava na hora de mostrar serviço, tomar a frente, ser o funcionário exemplar. Tava na hora de mostrar pra mulher que apesar de todos os pesares ela tinha feito a escolha certa ao se casar com ele, e mostrar que ela estava equivocada quando dizia que ele tinha se acomodado e não movia um pauzinho pela família, pelo futuro, por ele mesmo. Tava na hora de provar pro mundo que não se tinha deixado paralisar por qualquer coisa que fosse, que era capaz de construir, transformar, fazer o que tivesse vontade e o que achasse importante! Tava na hora de comer mais fruta, mais salada e menos gordura, trocar o refrigerante pelo suco e o suco pela água, tava na hora de andar com uma garrafinha de água e reduzir os cigarros, aliás, tava na hora de tentar parar de fumar. Ei, tava na hora de começar a viver, mas o despertador tocava e ele não conseguia se levantar. Tava na hora, mas ele não iria trabalhar. Naquele dia, iria faltar. Amanhã eu vou, com certeza. 

(E na areia movediça da procrastinação, a vida é devorada num piscar de olhos.)


26 de setembro de 2013

Filme: O Grande Desafio

Na aula de Tópicos em Teorias do Texto, a professora anunciou que passaria um filme. Torci o nariz. Que espécie de filme poderia ser associado a uma matéria tão, meu deus, tão "essencialmente" teórica? E eis que, para a minha feliz surpresa, ela nos presenteia com essa belezinha aqui: O Grande Desafio. O filme está dublado no Youtube e parece que há uma certa dificuldade em encontrá-lo para comprar, mas rolam boatos de que dá pra baixar legendado por torrent. Eu recomendo, absolutamente. Assistam.


Dias de frio com sol

Meus preferidos.

Às sete da manhã, sentar para tomar um café ao lado da estação de metrô, tranquilamente olhar a avenida, o passo rápido das pessoas, sentir o sol tocar meu rosto, respirar fundo.

Começar o dia bem, bem, bem...

25 de setembro de 2013

Conclusões

"O sol foi se avermelhando.
Nada foi concluído.
O que havia para se concluir?" 

24 de setembro de 2013

"O artista é fiel ...

 ... ao amor, à libido, à paixão - JAMAIS a uma pessoa.
Ele não trai jamais o apetite, a fome, o amor, o tesão.
O artista come de tudo.
Os homens, as mulheres, tudo que lhe abre o apetite.
Porque a vida é apetite puro (...)


O oposto da morte é o desejo.
O oposto da morte é o desejo.
E o artista deseja mais, mais, sempre mais.
Sempre mais.
Sempre mais."


Aqui:


23 de setembro de 2013

I'm not sure what I'm looking for anymore


I just know that I'm harder to console
I don't see who I'm trying to be instead of me
But the key is a question of control

Can you say what you're trying to play anyway
I just pay while you're breaking all the rules
All the signs that I find have been underlined
Devils thrive on the drive that is fueled

All this running around, well it's getting me down

18 de setembro de 2013

Tentando entender cultura

Dia desses, vendo vídeos no Youtube aleatoriamente, ouço que filosofia é a "desbanalização do banal". Gostei.

Aí lembrei que em alguma aula, em algum lugar do meu passado acadêmico ou talvez até escolar, não me lembro, algum professor nos perguntou o que era cultura. Disse que a palavra era tão recorrente que acabou perdendo seu potencial de despertar estranheza. Ou seja, banalizou. O professor pediu que definíssemos esse substantivo de aparente fácil apreensão e ninguém soube responder. Cultura é folclore? É música? Que tipo de música? Funk é cultura também? E religião? É o repertório de uma pessoa intelectualizada? 

Vertigem

Precisava de um café.

Eu tinha subido tão alto nas últimas horas que de repente deu vertigem. Apesar que de lá de cima se vê bem, de maneira ampla, o que tem lá embaixo. Lá de cima as coisas se conectam umas com as outras e a sensação de compreensão é, de algum modo, libertadora. Você fica lá voando e vendo tudo, achando que tá entendendo tudo.

Mas ficar tempo demais chega uma hora que o ar acaba, bate um cansaço, dá vontade de descer. A gente até se pergunta por que diabos procura uma sensação libertadora?, a gente se questiona o que é liberdade?, compreensão às vezes é prisão também, é exaustivo, caramba!, não sei como você aguenta.

E café me lembra terra.
E é para lá que tenho que ir. Afinal eu sou de lá. 
Algo relacionado ao material, ao físico, ao que se quer crer lógico.

Talvez minha busca, hoje, seja pela harmonia, a conciliação entre o campo dos sentidos e das ideias. O famigerado caminho do meio. O equilíbrio.

Aos quinze anos, ainda sem saber por quê, eu já sabia que essa coisinha tinha importância, o equilíbrio. Mais tarde eu lhe atribuiria alguns sentidos.

Me falaram de Yin-yang um dia desses. Acho que eu deveria estudar o conceito.


Equilíbrio mente-corpo

Hoje na esteira da academia me dei conta de que exercitar mente e corpo em doses razoavelmente equivalentes proporciona um profundo bem-estar.



Menos facebook, mais atividade física, mais reflexão.

17 de setembro de 2013

O Pensamento Selvagem de Lèvi-Strauss

"O próprio do pensamento selvagem é ser intemporal, ele quer apreender o mundo, como totalização sincrônica e diacrônica ao mesmo tempo, e o conhecimento que dele toma se assemelha ao que oferecem num quarto espelhos fixos em paredes opostas e que se refletem um ao outro (assim como aos objetos colocados no espaço que os separa) mas sem serem rigorosamente paralelos. Forma-se simultaneamente uma multidão de imagens, nenhuma das quais é exatamente parecida com as outras; por conseguinte, cada uma delas traz apenas um conhecimento parcial da decoração e do mobiliário, mas seu agrupamento se caracteriza por propriedades invariantes que exprimem uma verdade. O pensamento selvagem aprofunda seu conhecimento com o auxílio de imagines mundi. Ele constrói edifícios mentais que lhe facilitam a inteligência do mundo na medida em que se lhe assemelham. Nesse sentido, pôde ser definido como pensamento analógico."

Alhures

Lá onde 'tá meu coração viageiro.

16 de setembro de 2013

Cansaço social

Um profundo cansaço: das redes sociais, das questões sociais, da responsabilidade social, dos relacionamentos rasos, do mau funcionamento das relações profundas, da complexidade de lidar com quem a gente ama. Cansaço, exaustão.



Querer sumir. Puff...

12 de setembro de 2013

Michael Foucault - Por ele mesmo

Com meus escassos conhecimentos de filosofia, ando fazendo um passeio por Foucault, por pura sede de... Entender, seja lá o quê. Começou quando li o capítulo "As quatro similitudes" do livro As palavras e as coisas. Depois, comecei a leitura de A história da sexualidade e, paralelamente, tenho visto um ou outro vídeo sobre o filósofo. Quero compartilhar este aqui:



"Nós não vivemos num espaço neutro, plano. Nós não vivemos, morremos ou amamos no retângulo de uma folha de papel. Nós vivemos morremos e amamos num espaço enquadrado, recortado, matizado, com zonas claras e escuras, diferenças de níveis, degraus de escadas, cheios, corcovas, regiões duras e outras friáveis, penetráveis, porosas.