31 de julho de 2013

A Ilha - Aldous Huxley

Poucos livros mexeram tanto comigo como este que acabo de ler. Sua leitura, além de muito intrigante, veio num momento significativo da minha vida... A seguir, um trecho do último capítulo que me deixou sem fôlego e embasbacada no metrô essa noite voltando do trabalho:

"Fora ou dentro, com os olhos abertos ou fechados, não havia saída.
- Não há saída - murmurou. E as palavras confirmaram o fato e se transformaram numa horrível certeza que continuou a se abrir, em direção às profundezas cada vez maiores de maligna vulgaridade, numa sucessão de infernos e de sofrimentos inteiramente destituídos de qualquer finalidade.
E esse sofrimento (isso ele sentiu com a força de uma revelação) não era apenas sem finalidade; era também cumulativo e se autoperpetuava. Já estava bastante amedrontado com a certeza de que a morte que viera (...) para todos os outros também viria para ele. A morte viria para ele, mas nunca para esse medo, para a sensação de náusea, para essas dilacerações de remorso e de auto-repugnância. Imortal na sua falta de sentido, o sofrimento prosseguiria para sempre. Sob todos os outros pontos de vista era grotesca e desprezivelmente finito. Só não o era no que dizia respeito ao sofrimento. Esse coágulo pequeno e espesso chamado eu era capaz de sofrer infinitamente e, a despeito da morte, o sofrimento prosseguiria sem fim. As dores de viver e de morrer, a rotina de agonias sucessivas (...) continuavam a reverberar, sempre ampliadas. Estariam sempre lá. E as dores não eram transmissíveis, o isolamento era completo. A sabedoria que um dia existira era a consciência de que sempre se estava só. E a solidão era a mesma (...). Seria a mesma quando chegasse a vez do câncer final e, quando se pensasse que tudo havia passado, continuaria estando só com a imortalidade do sentimento."

Lembrei de uma música do Blackfield que expressa bem o que senti quando li esse trecho...