17 de dezembro de 2013

Morte: a colheita que nos resta

Sabe-se que, alcançada a velhice, vêm à tona questões como a melancolia proveniente das privações, do ócio e da solidão e, sobretudo, as inevitáveis doenças resultantes do envelhecimento natural do corpo. Medicamentos e outros recursos terapêuticos têm o papel de amenizar a debilitação física e o comprometimento da saúde ao longo do tempo, mas até que ponto compensa adiar a tão indesejada morte? Ao refletir sobre as contradições da condição humana, o filósofo Sêneca aconselha: “Considera suprema beleza consumar a vida antes da morte e espera serenamente a parte que resta do teu tempo, não pedindo nada para ti na posse de uma vida feliz, que não se torna mais feliz se for mais longa.”.

15 de dezembro de 2013

Infância - Graciliano Ramos

Eu nunca havia lido nada do Graciliano Ramos além de Vidas Secas. Por mais que o clássico estivesse entre os meus romances favoritos, as outras obras do autor não me haviam despertado tanto interesse a ponto de colocá-las no começo da fila dos incontáveis livro que me aguardam a leitura. 

Mas neste semestre me matriculei na disciplina de Literatura Infantil e, para a minha surpresa, havia duas obras de GR que podiam ser analisadas no trabalho final: A terra dos meninos pelados e Infância. Eu não sabia que GR tinha se aventurado pelo mundo infantil, e optei por trabalhar com esses dois romances. 

12 de dezembro de 2013

Trechos de O mal-estar na civilização - Freud

"É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam medidas falsas, de que buscam poder, sucesso e riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, subestimando os autênticos valores da vida. E no entanto corremos o risco, num julgamento assim genérico, de esquecer a variedade do mundo humano e de sua vida psíquica. Existem homens que não deixam de ser venerados pelos contemporâneos, embora sua grandeza repouse em qualidades e realizações inteiramente alheias aos objetivos e ideais da multidão. Provavelmente se há de supor que apenas uma minoria reconhece esses grandes homens, enquanto a maioria os ignora. Mas a coisa pode não ser tão simples, devido à incongruências entre as ideias e os atos das pessoas e à diversidade de seus desejos."

26 de novembro de 2013

O cobrador - Rubem Fonseca


Nunca tinha lido nada do Rubem Fonseca. Para ser sincera, nem o conhecia. Mas aí, no trabalho final da disciplina Tópicos em Teorias do Texto, um dos contos a ser utilizado como ponto de partida na elaboração de um texto argumentativo era Onze de Maio, particularmente um dos melhores do livro.

Terminado o trabalho, decidi ler a obra toda, e que surpresa boa! Uma abordagem ácida de temas polêmicos que me prendeu numa leitura quase ininterrupta.

"Existem pessoas que não se entregam à paixão, sua apatia as leva a escolher uma vida de rotina, onde vegetam como “abacaxis numa estufa d’ananases”, como dizia meu pai. Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia."

"Depois deitei no sofá e fiquei pensando. Quando era menino eu gostava de fingir que ia dormir para poder ficar pensando sem ninguém me interromper. Os adultos ficam preocupados quando vêem uma criança quieta pensando. Eu passava, e passo, a noite, ou grande parte dela, acordado, pensando."

25 de novembro de 2013

On the Road - Jack Kerouac

Não escapei, como muita gente que conheço, do fascínio que essa obra causa. Comecei pelo filme, confesso que sem tantas expectativas, e só depois li o livro. 

Ficava boquiaberta conforme ia lendo. No metrô, de pé, andando, qualquer canto era lugar para abrir e devorá-lo. Cresceu vertiginosamente a minha ânsia por viajar.


A minha trilha sonora de leitura foi principalmente Morphine e Nina Simone.

As citações falarão por mim...

"Fiquei ligadíssimo nas cartas por causa do jeito ingênuo e singelo com que elas pediam a Chad para lhe ensinar tudo sobre Nietzsche e todas aquelas maravilhas intelectuais que Chad conhecia." 

24 de novembro de 2013

As portas da percepção & Céu e inferno - Aldous Huxley

"Este volume reúne dois dos ensaios mais importantes de Aldous Huxley sobre efeitos da ingestão de drogas alucinógenas e as implicações mentais e éticas dessa experiência. A obra inclui ainda uma série de pequenos textos sobre outros modificadores da percepção humana, revelando a profunda dicotomia do autor que, ao buscar iluminações místicas inalcançáveis pelo pensamento racional, não esconde seu inconformismo com as limitações do corpo humano.



22 de novembro de 2013

Hair

Filme para chorar por dentro...



Let the sunshine
Let the sunshine in...

31 de outubro de 2013

Asas do desejo

De longe, um dos melhores filmes que já vi.



“Quando a criança era criança, não sabia que era criança. Tudo era cheio de vida e a vida era uma só. Quando a criança era criança, não tinha opinião, não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, saía correndo, tinha um redemoinho no cabelo e não fazia pose para foto. (...) Quando a criança era criança, era tempo destas perguntas: Por que eu sou eu e não você? Por que estou aqui e não lá? Quando começou o tempo e onde termina o espaço? Será que a vida sob o sol nada mais é que um sonho? Será que o que eu vejo, escuto e cheiro não é apenas uma miragem do mudo anterior ao mundo? Será que realmente existe o Mal e pessoas malvadas? Como é possível? Eu, que sou eu, não existia antes de existir. E, no futuro, eu que sou eu, não serei mais quem eu sou.”

30 de outubro de 2013

Os subterrâneos - Jack Kerouac



"(...) em outras palavras esta é a história de um homem auto desconfiante, e ao mesmo tempo de um egomaníaco, naturalmente, não adianta bancar o engraçadinho - melhor começar no começo e deixar a verdade vazar aos poucos, isso."

22 de outubro de 2013

Café filosófico: A ética nos relacionamentos, com Claudio Cohen

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta palestra com Claudio Cohen. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

"Uma importante distinção entre ética e moral. Enquanto a moral vem de fora, do social, a ética nasce do indivíduo, vem do ego - pois depende de uma personalidade estruturada - enquanto a moral é superegóica, já que se trata de uma imposição do ambiente introjetada nos indivíduos. O programa toca também em questões importantes dos nossos tempos que envolvem a ética, como a clonagem, as células-tronco e o aborto. Cláudio Cohen: professor da USP, diretor da comissão de ética da Sociedade Brasileira de Psicanálise e presidente da Comissão de Bioética do Hospital das Clínicas. O programa Café Filosófico é uma produção da TV Cultura em parceria com a CPFL Energia."

21 de outubro de 2013

Harold and Maude - Diálogos

Harold and Maude é um filme estadunidense de drama e romance de 1971 dirigido por Hal Ashby. Estrelando Ruth Gordon e Bud Cort, o filme tem em seu enredo elementos de drama existencialista misturado com humor negro. A trama se desenvolve em torno dos dilemas do jovem Harold (Bud Cort), que simula diversas vezes a sua própria morte. Harold, que vivia com a mãe separada (Vivian Pickles), a qual tenta encaminhá-lo um casamento, sai de casa e começa um relacionamento com um mulher de 79 anos, Maude (Ruth Gordon).


- Conte-me, Harold, como você se diverte? Que atividade lhe dá a nítida sensação de se divertir? O que lhe dá aquela satisfação especial?

- Eu vou a enterros.

20 de outubro de 2013

Café Filosófico: A utopia do autoconhecimento, com Ricardo Goldenberg

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta conferência com Ricardo Goldenberg. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

"Conhece-te a ti mesmo" era a inscrição da porta do oráculo de Delfos, na antiga Grécia. Este conselho do oráculo grego ganhou novo sentido com a psicanálise. Freud encontrou pistas importantes para a investigação de quem somos. Neste programa, o psicanalista Ricardo Goldenberg mostra como a psicanálise pode ajudar a responder a pergunta 'Quem sou eu'?

Para Goldenberg, a psicanálise deve apostar na nossa capacidade de responder a esta pergunta e de criar sentidos para a nossa vida.

Palestra de Ricardo Goldenberg no programa Café Filosófico CPFL gravada no dia 26 de junho de 2009, em Campinas."

17 de outubro de 2013

Café Filosófico: A preguiça e a melancolia, com Oswaldo Giacoia

Transcrevo aqui as passagens que mais me chamaram a atenção nesta palestra com Oswaldo Giacoia. É apenas uma transcrição, filtrada e editada por mim, e não substitui a riqueza de assistir ao vídeo (veja aqui)

“Em nossas sociedades pós-industriais contemporâneas, que padecem as primeiras dores de parto de novas formas de vida, o imperativo categórico do sucesso social por meio de performances e rendimentos mantém o ócio sob suspeita e banimento, como algo da ordem do desajuste e anormalidade, a despeito de todas as utopias que celebravam as promessas da tecnologia como a realização da fantasia de uma libertação do homem da escravidão da servidão e da necessidade, como as núpcias entre o trabalho produtivo e o lazer. Seria o caso de se pensar num papel positivo para categorias politicamente ainda descreditadas, como as diferentes modalidades de transgressivas de excesso, prodigalidade, desperdício: o não fazer nada, a total ausência de finalidade e instrumentalização, em ruptura com a exigência de consumo infinito e permanente entretenimento, como um modo inteligente e superabundante de vida, para além da escassez, da penúria e da falta, uma diligência e cuidado de si verdadeiramente dissipatório, capaz de descerrar horizontes para experiências que representassem alternativas mais ricas de subjetivação, à revelia e na contracorrente da compulsão à produtividade, de um ideal de felicidade banalizado como bem estar, segurança, ausência de dor e sucesso social.

Com Oswaldo Giacoia, filósofo e professor brasileiro, atualmente livre docente na Universidade Estadual de Campinas."

16 de outubro de 2013

Eu olhei porque tava todo mundo olhando

Eu olhei porque olharam aí olhei também. Eu olhei porque tava todo mundo parado olhando aí eu não me aguentei parei de andar e olhei e vi o que eu não queria ver e que ficou me atormentando o resto da semana como a visão terrível do que olhei sem querer ver. Eu olhei pra ela e ela olhava pra baixo, ela parecia uma linda garota mas olhava pro celular. Eu a olhava querendo vê-la mas ela olhava pra baixo então não pude ver seu rosto que seria aquilo que eu gostaria de ver caso ela olhasse pra frente ou pra cima. Eu andava olhando pra baixo pro celular deixando de ver o que veria caso olhasse pra frente pros lados pra trás enquanto andava olhando pra baixo pro celular escrevendo isso aqui. Eu havia olhado tanto aqueles olhos procurando ver procurando olhos dentro dos olhos, pupilas dentro das pupilas, buscando o que não se pode ver apenas olhando. Eu queria ver além, além dos olhos além do corpo além de mim. Eu olhei porque tá todo mundo olhando, olhando sem ver, vendo sem olhar, todo mundo procurando com os olhos o que não pode ser visto. Eu olhei a mim mesmo no espelho olhei com toda a força que se pode colocar num olhar sem saber exatamente o que queria ver, a mim mesmo ou o que há além de mim mesmo se é que há algo além, o espelho estava quebrado só podia olhar pedacinhos de mim mesmo que se afastavam e se uniam e não me deixavam ver. Ver.


Engasgo

Corri para ficar no primeiro vagão do metrô da linha amarela pra poder ver os trilhos o caminho a velocidade, aquele miserável prazer urbano de no máximo dez minutos, o funcionário do metrô pediu licença abriu uma placa de botões que eu sequer sabia que existia, me afastou dali ficou mexendo terminou fechou mas não saiu de lá, não pude nem voltar e olhar os trilhos o caminho a velocidade, nem isso eu pude, tive que ficar perto da porta olhando a cara das pessoas meu deus a cara das pessoas, às vezes meu coração aperta tão forte e eu acho que não vou poder viver muito porque é muita coisa acontecendo dentro e fora - dentro e fora - eu sei que eu vivo dizendo que prefiro tudo acontecendo do que nada acontecendo mas é um caminho traiçoeiro porque eu tenho tanta sede de vida mas eu engasgo com a vida mesma, cada gole muitos goles, aquilo que eu mais quero é o que afinal acaba me destruindo e isso quando eu SEI o que eu quero efetivamente já que na maior parte das vezes eu apenas suponho querer. E eu nem sei mais o que seria uma pessoa cuidar da outra porque afinal tá todo mundo querendo ser cuidado precisando ser cuidado mas tá todo mundo no mesmo barco e não dá nem pra alguém dizer vem aqui pro meu que é mais seguro porque todo mundo tá num barco furado e esse é o destino, todos afundam. Mas não liga pro que eu to falando agora to só pensando aqui com meus botões no metrô vendo todas essas pessoas que precisam de cuidado, pensando que sei lá eu ainda quero ter forças ainda quero fingir que meu barco não tá furado e é seguro - mentira mas finja que acredita ou então não sairemos da cama -


15 de outubro de 2013

Não confie tanto

em mim
eu mesma
não confio mais
do que por
dez segundos

(autodesconfiante)

9 de outubro de 2013

Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

7 de outubro de 2013

O cheiro do ralo

Vi o filme. Loucura. O livro: ainda melhor.


4 de outubro de 2013

Noites de chuva

O som da chuva nos telhados.
Meu gato ronronando no meu peito.
Um sono tranquilo.


Come on, let me in





3 de outubro de 2013

Como me tornei estúpido

(Ao som do álbum What's going on do Marvin Gaye, uma análise breve e muito, mas muito pessoal e quase nada formal do livro Como me tornei estúpido, de Martin Page, escritor francês)

1.

Frequentemente acontece de eu escutar uma música, ver um filme ou ler um poema, um conto ou um romance, ou mesmo ouvir alguém fazendo um discurso genial que me faz pensar: eu poderia ter dito isso, só não sabia as palavras ou a maneira mais apropriada! Parece que uma entidade invisível capta a essência dos meus pensamentos e sentimentos em relação ao mundo e às coisas e a converte numa linguagem perfeita e simples de se transmitir. Foi o que senti com Como me tornei estúpido antes mesmo de começar a lê-lo, apenas sabendo do que se tratava.

1 de outubro de 2013

Muito prazer, meu nome é otário

Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

29 de setembro de 2013

Procrastinação

Tava na hora de começar a levantar mais cedo e preparar o café em casa mesmo, em vez de comprar na rua. Afinal, tava na hora de começar a economizar. Tava na hora de começar a deitar mais cedo, pra acordar com mais disposição, porque o sono e o cansaço durante o dia eram insuportáveis e reduziam seu rendimento e produtividade. Deitando e levantando mais cedo, pegaria o ônibus mais vazio, e até poderia ir sentado. Tava na hora de começar a ler um livro e, de preferência, ler até o fim. Se levantasse mais cedo e fosse sentado no ônibus, talvez conseguisse ler um livro inteiro. Tava na hora de começar a estudar, aprender alguma coisa, tirar a poeira do cérebro. Também tava na hora de começar a praticar algum esporte, fazer um cooper no quarteirão, coisa do tipo, pois o médico tinha dito que estava acima do peso e que tinha que se mexer mais, dormir e se alimentar melhor, esse papo de médico. Mas talvez tivesse mesmo na hora de ouvir o papo de médico, porque suas costas doíam que nem o diabo e se sentia cansado e sem ar cada vez que dava uma corridinha até ali. Tinha que mentir cada vez que o pessoal da empresa o chamava para jogar futebol porque não tinha fôlego nem condicionamento e morria de vergonha de admitir, então inventava um compromisso, uma festa na escola do filho, coisa assim. Tava na hora de começar a ir nas festas da escola do filho e parar de mentir dizendo que trabalhou até tarde, quando na verdade foi tomar cerveja com o Zezinho, velho amigo da faculdade. Tava na hora de começar a ajudar o filho nos estudos, a conversar com ele alguma coisa importante sobre aprender e ser alguém na vida, afinal o filho tinha verdadeira dificuldade pra entender as tabuadas, suas notas iam de mal a pior e a única coisa que sabia fazer com maestria era destruir todo e qualquer brinquedo que entrasse pela porta do seu quarto. Caramba, tava mesmo na hora de economizar e pensar em comprar um apartamento, já tava na hora de parar de pagar aluguel, porque o dinheiro só ia embora e não havia retorno, não havia investimento algum. Tava mais do que na hora de começar a pensar no futuro do filho ou, melhor, no seu próprio futuro, mas pra pensar no futuro do filho ou no seu tava na hora de dar um jeito no presente. Talvez tivesse na hora de mudar de emprego, ou pedir um aumento, uma promoção. Tava na hora de fazer por merecer! Tava na hora de mostrar serviço, tomar a frente, ser o funcionário exemplar. Tava na hora de mostrar pra mulher que apesar de todos os pesares ela tinha feito a escolha certa ao se casar com ele, e mostrar que ela estava equivocada quando dizia que ele tinha se acomodado e não movia um pauzinho pela família, pelo futuro, por ele mesmo. Tava na hora de provar pro mundo que não se tinha deixado paralisar por qualquer coisa que fosse, que era capaz de construir, transformar, fazer o que tivesse vontade e o que achasse importante! Tava na hora de comer mais fruta, mais salada e menos gordura, trocar o refrigerante pelo suco e o suco pela água, tava na hora de andar com uma garrafinha de água e reduzir os cigarros, aliás, tava na hora de tentar parar de fumar. Ei, tava na hora de começar a viver, mas o despertador tocava e ele não conseguia se levantar. Tava na hora, mas ele não iria trabalhar. Naquele dia, iria faltar. Amanhã eu vou, com certeza. 

(E na areia movediça da procrastinação, a vida é devorada num piscar de olhos.)


26 de setembro de 2013

Filme: O Grande Desafio

Na aula de Tópicos em Teorias do Texto, a professora anunciou que passaria um filme. Torci o nariz. Que espécie de filme poderia ser associado a uma matéria tão, meu deus, tão "essencialmente" teórica? E eis que, para a minha feliz surpresa, ela nos presenteia com essa belezinha aqui: O Grande Desafio. O filme está dublado no Youtube e parece que há uma certa dificuldade em encontrá-lo para comprar, mas rolam boatos de que dá pra baixar legendado por torrent. Eu recomendo, absolutamente. Assistam.


Dias de frio com sol

Meus preferidos.

Às sete da manhã, sentar para tomar um café ao lado da estação de metrô, tranquilamente olhar a avenida, o passo rápido das pessoas, sentir o sol tocar meu rosto, respirar fundo.

Começar o dia bem, bem, bem...

25 de setembro de 2013

Conclusões

"O sol foi se avermelhando.
Nada foi concluído.
O que havia para se concluir?" 

24 de setembro de 2013

"O artista é fiel ...

 ... ao amor, à libido, à paixão - JAMAIS a uma pessoa.
Ele não trai jamais o apetite, a fome, o amor, o tesão.
O artista come de tudo.
Os homens, as mulheres, tudo que lhe abre o apetite.
Porque a vida é apetite puro (...)


O oposto da morte é o desejo.
O oposto da morte é o desejo.
E o artista deseja mais, mais, sempre mais.
Sempre mais.
Sempre mais."


Aqui:


23 de setembro de 2013

I'm not sure what I'm looking for anymore


I just know that I'm harder to console
I don't see who I'm trying to be instead of me
But the key is a question of control

Can you say what you're trying to play anyway
I just pay while you're breaking all the rules
All the signs that I find have been underlined
Devils thrive on the drive that is fueled

All this running around, well it's getting me down

18 de setembro de 2013

Tentando entender cultura

Dia desses, vendo vídeos no Youtube aleatoriamente, ouço que filosofia é a "desbanalização do banal". Gostei.

Aí lembrei que em alguma aula, em algum lugar do meu passado acadêmico ou talvez até escolar, não me lembro, algum professor nos perguntou o que era cultura. Disse que a palavra era tão recorrente que acabou perdendo seu potencial de despertar estranheza. Ou seja, banalizou. O professor pediu que definíssemos esse substantivo de aparente fácil apreensão e ninguém soube responder. Cultura é folclore? É música? Que tipo de música? Funk é cultura também? E religião? É o repertório de uma pessoa intelectualizada? 

Vertigem

Precisava de um café.

Eu tinha subido tão alto nas últimas horas que de repente deu vertigem. Apesar que de lá de cima se vê bem, de maneira ampla, o que tem lá embaixo. Lá de cima as coisas se conectam umas com as outras e a sensação de compreensão é, de algum modo, libertadora. Você fica lá voando e vendo tudo, achando que tá entendendo tudo.

Mas ficar tempo demais chega uma hora que o ar acaba, bate um cansaço, dá vontade de descer. A gente até se pergunta por que diabos procura uma sensação libertadora?, a gente se questiona o que é liberdade?, compreensão às vezes é prisão também, é exaustivo, caramba!, não sei como você aguenta.

E café me lembra terra.
E é para lá que tenho que ir. Afinal eu sou de lá. 
Algo relacionado ao material, ao físico, ao que se quer crer lógico.

Talvez minha busca, hoje, seja pela harmonia, a conciliação entre o campo dos sentidos e das ideias. O famigerado caminho do meio. O equilíbrio.

Aos quinze anos, ainda sem saber por quê, eu já sabia que essa coisinha tinha importância, o equilíbrio. Mais tarde eu lhe atribuiria alguns sentidos.

Me falaram de Yin-yang um dia desses. Acho que eu deveria estudar o conceito.


Equilíbrio mente-corpo

Hoje na esteira da academia me dei conta de que exercitar mente e corpo em doses razoavelmente equivalentes proporciona um profundo bem-estar.



Menos facebook, mais atividade física, mais reflexão.

17 de setembro de 2013

O Pensamento Selvagem de Lèvi-Strauss

"O próprio do pensamento selvagem é ser intemporal, ele quer apreender o mundo, como totalização sincrônica e diacrônica ao mesmo tempo, e o conhecimento que dele toma se assemelha ao que oferecem num quarto espelhos fixos em paredes opostas e que se refletem um ao outro (assim como aos objetos colocados no espaço que os separa) mas sem serem rigorosamente paralelos. Forma-se simultaneamente uma multidão de imagens, nenhuma das quais é exatamente parecida com as outras; por conseguinte, cada uma delas traz apenas um conhecimento parcial da decoração e do mobiliário, mas seu agrupamento se caracteriza por propriedades invariantes que exprimem uma verdade. O pensamento selvagem aprofunda seu conhecimento com o auxílio de imagines mundi. Ele constrói edifícios mentais que lhe facilitam a inteligência do mundo na medida em que se lhe assemelham. Nesse sentido, pôde ser definido como pensamento analógico."

Alhures

Lá onde 'tá meu coração viageiro.

16 de setembro de 2013

Cansaço social

Um profundo cansaço: das redes sociais, das questões sociais, da responsabilidade social, dos relacionamentos rasos, do mau funcionamento das relações profundas, da complexidade de lidar com quem a gente ama. Cansaço, exaustão.



Querer sumir. Puff...

12 de setembro de 2013

Michael Foucault - Por ele mesmo

Com meus escassos conhecimentos de filosofia, ando fazendo um passeio por Foucault, por pura sede de... Entender, seja lá o quê. Começou quando li o capítulo "As quatro similitudes" do livro As palavras e as coisas. Depois, comecei a leitura de A história da sexualidade e, paralelamente, tenho visto um ou outro vídeo sobre o filósofo. Quero compartilhar este aqui:



"Nós não vivemos num espaço neutro, plano. Nós não vivemos, morremos ou amamos no retângulo de uma folha de papel. Nós vivemos morremos e amamos num espaço enquadrado, recortado, matizado, com zonas claras e escuras, diferenças de níveis, degraus de escadas, cheios, corcovas, regiões duras e outras friáveis, penetráveis, porosas.

31 de julho de 2013

A Ilha - Aldous Huxley

Poucos livros mexeram tanto comigo como este que acabo de ler. Sua leitura, além de muito intrigante, veio num momento significativo da minha vida... A seguir, um trecho do último capítulo que me deixou sem fôlego e embasbacada no metrô essa noite voltando do trabalho:

"Fora ou dentro, com os olhos abertos ou fechados, não havia saída.
- Não há saída - murmurou. E as palavras confirmaram o fato e se transformaram numa horrível certeza que continuou a se abrir, em direção às profundezas cada vez maiores de maligna vulgaridade, numa sucessão de infernos e de sofrimentos inteiramente destituídos de qualquer finalidade.
E esse sofrimento (isso ele sentiu com a força de uma revelação) não era apenas sem finalidade; era também cumulativo e se autoperpetuava. Já estava bastante amedrontado com a certeza de que a morte que viera (...) para todos os outros também viria para ele. A morte viria para ele, mas nunca para esse medo, para a sensação de náusea, para essas dilacerações de remorso e de auto-repugnância. Imortal na sua falta de sentido, o sofrimento prosseguiria para sempre. Sob todos os outros pontos de vista era grotesca e desprezivelmente finito. Só não o era no que dizia respeito ao sofrimento. Esse coágulo pequeno e espesso chamado eu era capaz de sofrer infinitamente e, a despeito da morte, o sofrimento prosseguiria sem fim. As dores de viver e de morrer, a rotina de agonias sucessivas (...) continuavam a reverberar, sempre ampliadas. Estariam sempre lá. E as dores não eram transmissíveis, o isolamento era completo. A sabedoria que um dia existira era a consciência de que sempre se estava só. E a solidão era a mesma (...). Seria a mesma quando chegasse a vez do câncer final e, quando se pensasse que tudo havia passado, continuaria estando só com a imortalidade do sentimento."

Lembrei de uma música do Blackfield que expressa bem o que senti quando li esse trecho...