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Mensagens

A mostrar mensagens de 2012

Julio Cortázar

O ensaio a seguir é o trabalho final da disciplina Literatura Hispano-Americana Contemporânea, com a professora Laura Hosiasson, no segundo semestre de 2012

O SILÊNCIO EM "CARTAS A MAMÁ", DE JULIO CORTÁZAR
À luz de O escorpião encalacrado, de Davi Arrigucci, pretende-se, no presente trabalho, analisar brevemente alguns aspectos ligados à função do silêncio no conto “Cartas de Mamá”, de Julio Cortázar. Foi possível notar que a escassez de diálogos na narrativa é ricamente substituída por gestos e pensamentos significativos e não manifestos verbalmente que caracterizam as personagens. Para desenvolver o conto, o narrador joga com o passado e o presente e recorre frequentemente ao discurso indireto livre, o qual reproduz indiretamente o movimento interior das personagens. 

Trechos de A experiência da agonia - Laymert Garcia dos Santos

Dizer é momento de produção de afirmação, que surge no bojo de um movimento. Movimento de expulsão, de esconjuro, de exorcismo das forças da morte que se apropriam da energia vital, voltando-a contra ela mesma.

                  Dizer é um momento da luta feroz e surda a que se entregam as forças da morte contra o sopro de vida. Dizer já é um início de vitória – mas não se diz o começo da luta, este é indizível. Quando se chega a dizer, é porque a barragem que represava o sopro já sofreu o primeiro abalo. Como se tivesse ocorrido uma imensa e mínima reviravolta (...)

Escritores portugueses

O presente trabalho pretende estabelecer uma breve análise comparativa sobre como a história e o contexto histórico são articulados em dois romances portugueses de períodos bastante distintos: Eusébio Macário, de Camilo Castelo Branco, e História do Cerco de Lisboa, de José Saramago. Trabalho final da disciplina Literatura Portuguesa III, com o professor Paulo Motta, no primeiro semestre de 2012.
INTRODUÇÃO
Visamos ressaltar as diferenças no manejo da história presente no interior de cada trama. Em Eusébio Macário, observaremos como o próprio narrador lida com a questão histórica, motivado pela paródia que se propõe a fazer dos romances realistas. Já em História do Cerco de Lisboa, não consideraremos o narrador propriamente dito, mas o protagonista Raimundo quando ganha a voz dentro da narrativa e a sua forma de trabalhar o tema. Para tanto, será inevitável explicitar o contexto histórico em que cada enredo se insere.

Publiquei na Originais Reprovados!

Impertinência

Impertinência é viver, retumbava uma voz embriagada em sua cabeça, de onde vinha?, não fazia ideia, não tinha bebido, não falava daquele jeito, a voz que ali se articulava não era sua, não, senhor, mas impertinência é viver?, se perguntava, sim, respondia a voz, viver e insistir em viver, viver e insistir em não morrer, viver e temer a morte, viver e acordar todos os dias e todos os dias insistir em manter a vida ainda que a vida se resuma à coisa alguma, impertinência é viver, contornar os infortúnios, padecer de imprecisões, viver enfim por um fio, viver apenas para proclamar que se viveu, viver com o único propósito de não morrer, viver pensando que se vai morrer, viver morrendo antes de morrer, morrer sem que estivesse vivendo no entanto, viver assim: sem mais nem menos, ou ainda: sempre com menos, viver de menos, esperar demais, viver esperando, morrer sem esperar,  esperar pela vida quando chega a morte, morrendo sempre que se vê a morte, morrendo os nervos, morrendo os sonhos,…

Nada, de Carmen Laforet

O ensaio a seguir é o meu trabalho final da disciplina Literatura Espanhola do Século XX, com a professora Margareth Santos, no primeiro semestre de 2012 
EL PÓS-GUERRA CIVIL ESPAÑOLA DEL PUNTO DE VISTA DE ANDREA, ENNADA, DE CARMEN LAFORET
Nada fue la primera novela de Carmen Laforet y la que proporcionó a la joven autora española notoriedad y repercusión entre el público y la crítica. Publicado en 1944, es asociado al contexto pos-guerra civil de España. Está compuesto por tres partes, en las cuales el tiempo de la narración es predominantemente linear, y por dos espacios fundamentales: el interno, la casa de la familia de Andrea, y el externo, las calles de Barcelona, la casa de Ena y la Universidad.

Gêneros Discursivos - Irene Machado

1. Em sua poética, Aristóteles classifica os gêneros como obras da voz tomando como critério o modo de representação mimética. Poesia de primeira voz é representação da lírica; a poesia de segunda voz, da épica, e a poesia de terceira voz, do drama. Trata-se de uma classificação paradigmática e hierárquica.
2. Além das formações poéticas, Bakhtin afirma a necessidade de um exame circunstanciado não apenas da retórica mas, sobretudo, das práticas prosaicas que diferentes usos da linguagem fazem do discurso, oferecendo-o como manifestação de pluralidade.

É terminantemente proibido o que farei a seguir

É terminantemente proibido o que farei a seguir - no entanto, eu o farei, eu assassinarei o texto, eu providenciarei que o leitor se sinta traído, ludibriado e quem sabe até ultrajado - é o que farei. Não tenho conhecimento de quem determinou que não se deve fazê-lo, se é uma questão de lei ou não, se está na constituição ou talvez na bíblia. Pode, quiçá, tratar-se apenas de bons costumes, princípios, burocracias subjetivas do gênero. Transcorrerei décadas, até a minha morte - se é que viverei tanto tempo - sem poder compreendê-lo. Mas há tantos delitos que não sabemos por que levam o nome: delitos. Perguntamo-nos, e nos perguntaremos sempre: é ilícito, mas por quê? E enfim. O que é, com efeito, relevante no presente texto, e que eu vinha dizendo anteriormente, é que pode o senhor leitor sentir-se atingido pela audácia de minhas palavras, que se encarregarão – as palavras, não eu – da transgressão: o assassinato do texto. Mas não revelarei o que tenciono revelar sem antes alertá-lo d…