29 de janeiro de 2011

Lixo extraordinário - Waste Land


O momento em que uma coisa se transforma
em outra é o momento mais bonito (Vik Muniz)


Elenco: Karen Harley, João Jardim, Lucy Walker
Direção: Vik Munizr
Gênero: Documentário
Duração: 90 min.
Distribuidora: Downtown Filmes
Estreia: 21 de Janeiro de 2011

Sinopse: O documentário tem como pano de fundo o Jardim Gramacho (RJ), maior aterro sanitário da América Latina e relata a trajetória do lixo dispensada no aterro. A relação entre lixo e arte aproxima o universo intelectual à tão diferente realidade das pessoas que colhem o lixo, que acaba virando arte nas mãos do artista plástico Vik Muniz.


22 de janeiro de 2011

As Valsas Invisíveis – Quem o acompanha?


"Basta de conforto
Eu prefiro a corda-bamba.”



“O jovem engenheiro químico Eduardo Dominguez Trindade é solteiro, natural de Porto Alegre e mora no Rio de Janeiro há sete anos, ocasião em que foi admitido na Petrobras. (...) Utiliza como pseudônimo Heterônimo Pessoa, e admira a obra do conterrâneo gaúcho Mario Quintana e o português José Saramago, cuja influência é naturalmente manifestada em suas obras. (...) Aos 30 anos, acredita que a internet, por seu caráter democrático, é uma ferramenta que auxilia bastante na difícil tarefa de inserir novos autores no mercado literário. Mantém um blog sobre literatura (www.edutrintade.com), onde publica principalmente textos literários – poemas, contos e crônicas -, e também algumas fotografias, gravuras e pinturas autorais.”

Edu Trindade é um poeta e escritor que eu tive a sorte de encontrar entre tantos blogs pelos quais já passeei! Eu fico particularmente muito feliz quando me deparo com um talento como ele. Dou todo apoio aos jovens escritores nacionais que, apesar das pedras no caminho, sabem o quanto é mágico, colorido, doce (para usar palavras frequentes nos poemas do Edu) a brincadeira com a literatura.

Foi engraçado. O Edu me enviou dois livros por correio e eu, quando os recebi, fiquei muito mais surpresa e encantada do que imaginava. Até porque eles vieram com dedicatórias maravilhosas que me emocionaram! Eu e o Edu não nos conhecemos pessoalmente. Mas agora, depois de ter lido seus contos e poemas, sinto que o conheço muito bem. E posso afirmar, sem pestanejar, que ele é um grande poeta e exímio apreciador das coisas simples da vida.


“Gosto das coisas mínimas. A grandiosidade pode assustar.”


A pequena biografia acima foi tirada do livro “IX Concurso de Contos Petros – Homenagem à Nélida Piñon”, no qual o autor teve seu conto “Cartola vermelha” publicado. Vejam um trecho:
“ (...) Enquanto ela falava, as nuvens se adensavam, o céu escurecia e diminuía a quantidade de pessoas na rua. Eu sabia que deveria ir para casa, mas estava encantado pelas palavras rápidas e fáceis daquela menina. Volantina Violeta... Ela continuava empolgada, falando do circo, da família, das lembranças... (...) "


Seu livro As Valsas Invisíveis, publicado em 2008 pela editora LivroPonto, é um misto de mais de 100 prosas e poesias. Li-o como se devorasse guloseimas. Escolhi três (de muitos!) que me chamaram a atenção e transcrevo-os para vocês.

Fragmentos na chuva

...E hoje amanheceu chovendo.
Os dedos do sol surgem amarelados
Entre flocos de nuvens cinzentas.
Raios iridescentes se espalham
Na água que cobre a cidade.

Cai uma chuva fininha
Sobre os caminhos e as flores.
Fina como essa melancolia
Das minhas solitárias.

Há uma beleza profunda
Nos poemas mais tristes.
Mas minha inspiração é alegre
E a minha tristeza é somente
Vontade de escrever.

Chove.
E hoje amanheci escrevendo.

(O incrível é que enquanto lia esse poema, estava realmente chovendo, e eu havia realmente acordado com vontade de escrever!)

Ao contrário


Desacordei hoje
Em meio a desacontecidos
E meu destino era
Fazer versos desrimados,
Rimas ao contrário.
Desnudei-me.
Desabotoei a palavra
E a descobri plena,
Plenamente
Despretensiosa.

(Esse foi um dos meus favoritos - tenho xodó por poemas metalinguísticos.)


Pequeno prazer



Pequeno prazer de hoje:
No ônibus, eu voltando para casa,
A senhora sentada à minha frente
Trazia um pequeno buquê multicor.

Viajei com o perfume das flores
E cheguei em casa mais leve,
Embalado pela bruma misteriosa
De tantos sonhos e lembranças.

(Quem presta atenção nos meus textos sabe que muitas vezes eu os ambientalizo dentro de um ônibus, porque ônibus fazem parte da minha rotina e acontece sempre de me surgirem ideias enquanto viajo neles. Quem me dera ter uma senhora à minha frente com um buquê perfumado cada vez que me sento em um ônibus...)
Gostaria de agradecer muitíssimo ao Edu por ter-me enviado os livros e principalmente por compartilhar com o mundo os seus versos e valsas invisíveis. Desejo-lhe muita inspiração, muita produção e que você nos venha presentear com novos livros!





Para ter acesso aos textos do autor, acesse

http://www.edutrindade.com/

Para comprar o livro As Valsas Invisíveis, acesse

http://asvalsasinvisiveis.blogspot.com/2009/10/as-valsas-invisiveis.html

“Menino se fez homem
Mas continua assombrado
Pelo poder das palavras.”

19 de janeiro de 2011

Mal-entendido

Acorda!
A cor do dia chegou
A corda do tempo
Presa ao teu pescoço
Te arrasta

A dor no corpo?
Adorno!

Mas a dor no centro
A dor de dentro
Com ardor
Entorpece

Todo dia
Ser ator
Atormenta?
O ator mente

Seis horas da tarde
O chefe brinca:
Há dor nos olhos?
Adormece!

No metrô
Quilômetros de pensamentos:

“Amor,
E o amor
Amor te doa?
Amor te entrega?”

- A morte assalta
- A morte leva
Responde o marido
Amortecido no colchão