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Minha história, um balde de tinta derramado

Minha história,
Um balde de tinta derramado,
Deixa eu contar minha história,
Manchar o mundo

Minha infância,
Livros para colorir,
Giz de cera no lugar dos dedos,
Ou canetinhas esferográficas para desenhar
O impossível

Meus sonhos,
De acrílico, tingidos no céu,
Uns vingaram feito arco-íris,
Outros, pingaram no mar

Meus pecados, poucos,
Incolores,
Sutis,
Feitos à lápis de grafite sem qualidade

Minhas palavras,
Ambíguas,
Muitas cores
(Busquei precisão
Mas continuo rabiscando nas entrelinhas,
Borrando as certezas)

Meus amores,
Uns febris, vermelhos
Outros pálidos,
Desbotaram,
Sumiram nas margens do papel

Minha arte,
O último quadro da exposição,
Pendurado na sala menos visitada do museu,
Às vezes até trancada,
Esquecida

Meu tempo,
Todas as nuances em uma paleta,
Pincéis que perdem as cerdas,
Texturas que se aplainam,
Em um minuto, a cor se esvai

E enquanto traço a vida,
A minha morte,
Uma tela no cavalete,
Intocada,
Espera a minha assinatura