31 de julho de 2010

Termo e meio

A tarde transita
entre o sol da manhã
e os becos da noite

Ecos embaralhados
de um grito quente
e um sussurro frio:

Da penumbra da alma
da claridade dos olhos
e do breu do coração


29 de julho de 2010

Capa - Menino sem Nome


" Deitei em minha cama, sentindo a maciez do colchão, amarrotando os lençóis, esticando meus braços para o alto como se tentasse tocar o teto. Cerrei os olhos sem apertá-los, respirei demoradamente, toquei a campainha da minha alma. Ela me fez esperar algum tempo. Existir, de repente, me pareceu uma mentira. Eu não estava ali. Era tudo imaginação. Não sentia meu corpo, não podia mais mover meus braços, nem abrir os olhos. Era uma miragem. Eu me enxergava de cima, podia ver meu corpo estirado na cama, e meu espectro sentia pena daquela carne que pensava ser verdadeira. A sensação durou pouco. Eu quis tornar a senti-la, quis sair do meu corpo outra vez, ver-me de outro ângulo, mas era impossível retornar ao estado anterior. Por uma vez até duvidei que tivesse acontecido. Sentei-me, fitando o guarda-roupa fechado. Fechado. Minha alma havia se fechado outra vez.
Mas, afinal, o que aconteceria se eu a tivesse excedido? "
(Menino sem Nome - Aline Veingartner) ®

Está chegando!

28 de julho de 2010

Poema feito com pressa

Sem tempo, sem tempo, rabisco
Sem fome, sem fome, petisco
Se tenho coragem arrisco
E o verso atrasado:
Um risco


21 de julho de 2010

Um sonho

Quem já realizou um grande sonho sabe o quanto ficamos eufóricos quando aquilo que desejamos desde pequeninos está prestes a acontecer! Tenho pensado muito no que me aconteceu nos últimos meses e me sinto particularmente afortunada. Vou conseguir lançar o meu próprio livro antes de completar 20 anos! É mais do que meu coraçãozinho pode aguentar :)


Data: 14 agosto de 2010 - sábado - Itaú Cultural - a partir das 19hs
Coquetel de pré-lançamento da Antologia Delicatta (da qual participo publicando dois poemas), premiação, autógrafos e sarau. O Instituto é um centro de referência cultural, há mais de 20 anos promovendo e divulgando a produção artístico-intelectual brasileira.
Entrada franca.
Endereço: Av. Paulista, 134 - Bela Vista, São Paulo - SP, 01310-000
Como chegar



Data: 15 agosto de 2010 - domingo - 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo - a partir das 18h30hs

Lançamento da Antologia Delicatta
no estande da editora Scortecci
Entrada: R$ 10 (inteira), R$ 5 (estudante)
Endereço: Pavilhão de Exposições do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo/SP
Como chegar


Data: 17 de agosto de 2010 - terça-feira - 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo - das 16hs às 18hs

Lançamento do meu primeiro livro Menino sem Nome no estande da editora Multifoco
Entrada: R$ 10 (inteira), R$ 5 (estudante)
Endereço: Pavilhão de Exposições do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo/SP
Como chegar

Análise do Poema: Soneto do Amor Maior - Vinicius de Moraes

* Caso você esteja usando esta análise para o seu trabalho, peço que, por favor, faça a devida referência.

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo

2 de julho de 2010

Trechos de Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe

A queda da casa de Usher

"Eu sentia que respirava uma atmosfera de tristeza. Um ar de severa, profunda e irremissível melancolia pairava sobre tudo, envolvia tudo."

"E assim, à medida que uma intimidade cada vez maior me permitia penetrar, sem certas reservas, no recesso de seu espírito, mais amargamente percebia a inutilidade de qualquer tentativa no sentido de alegrar um espírito cujo negrume, como se fosse uma qualidade positiva e inerente, se esparzia por todos os objetos do mundo físico e moral, numa irradiação incessante de tristeza."

O barril de Amontillado

"- Vamos - disse-lhe com decisão. - Vamos voltar. Sua saúde é preciosa. Você é rico, respeitado, admirado, amado; você é feliz, como eu também o era. Você é um homem cuja falta será sentida. Quanto a mim, não importa. Vamos embora. Você ficará doente, e não quero arcar com essa responsabilidade. Além disso, posso procurar Luchesi..."

O gato preto

"Há algo, no amor desinteressado, e capaz de sacrifícios, de um animal, que toca diretamente o coração daqueles que tiveram ocasiões frequentes de comprovar a amizade mesquinha e a frágil fidelidade de um simples homem."

Berenice

"O infortúnio é múltiplo. A infelicidade, sobre a terra, multiforme. Dominando, como o arco-íris, o amplo horizonte, seus matizes são tão variados como os desse arco e, também, nítidos, embora intimamente unidos entre si. Dominando o vasto horizonte como o arco-íris! Como é que pude obter da beleza um tipo de fealdade? Como pude conseguir, do pacto de paz, uma símile de tristeza? Mas, como na ética, o mal é uma consequência do bem e, assim, na realidade, da alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que são têm a sua origem nos êxtases que poderia ter sido."

"Foi nesse aposento que nasci. Despertando, assim, da longa noite que parecia ser - mas não era - o nada, e vendo-me, de repente, nas verdadeiras regiões de um país de fadas, num palácio fantástico, nos estranhos domínios do pensamento e da erudição monásticos, não é estranho que olhasse tudo com olhos surpresos e ardentes, que esbanjasse a minha infância debruçado sobre livros e dissipasse minha juventude em sonhos; mas o estranho é que, com o passar dos anos, eu me encontrava ainda, em plena maturidade, na mansão de meus pais; o maravilhoso é esse estancamento que caiu sobre as fontes de minha vida, maravilhosa a total inversão operada na natureza de meus pensamentos mais comuns. As realidades do mundo afetavam-se como visões, apenas como visões, enquanto que as ideias loucas da terra dos sonhos se tornavam, por sua vez, não o material de minha vida cotidiana, mas, realmente, minha inteira e única existência."
"Contudo, minha memória estava cheia de horror - horror tanto mais horrível por ser vago, e terror mais terrível pela sua ambiguidade. Era uma página espantosa do livro de minha existência, escrita, toda ela, de recordações vagas, atrozes e ininteligíveis. Esforcei-me por decifrá-las, mas em vão; de quando em quando, como se fosse o espírito de um som morto, um grito de mulher, penetrante e estridente, parecia soar em meus ouvidos. Eu havia realizado um ato... Mas qual? Dirigia a mim mesmo essa pergunta em voz alta, e os ecos sussurrantes do aposento respondiam: 'Mas que ato foi esse?'"

Os crimes da rua Morgue

"Dirigir a uma estrela um rápido olhar, examiná-la obliquamente, voltando para ela as partes exteriores da retina (mais suscetíveis às ligeiras impressões da luz que as interiores), é contemplar a estrela de maneira diferente, é apreciar melhor o seu brilho, brilho que diminui à medida que voltamos nossa visão em cheio para ela. Um número muito maior de raios incide sobre os olhos neste último caso, mas, no primeiro, se obtém uma receptividade mais apurada. Por meio de uma profundidade indevida, perturbamos e debilitamos os nossos pensamentos - e é impossível fazer-se com que a própria Vênus se desvaneça no firmamento, se a fitarmos de maneira muito demorada, muito concentrada ou muito direta."

O mistério de Marie Roget

" (...) deixamos o futuro inteiramente entregue ao acaso e adormecemos tranquilamente no presente, transformando em devaneios o monótono mundo que nos cercava."

A Carta Roubada

"- Não é inteiramente tolo - disse G ... -, mas é poeta, o que o coloca não muito distante de um tolo."

Nunca aposte sua cabeça com o diabo

"Olhei desabridamente para meu amigo, enquanto assim me diriga a ele; pois, para falar a verdade, sentia-me particularmente perplexo, e quando um homem está particularmente perplexo, deve franzir as sobrancelhas e parecer selvagem; de outro modo, pode estar perfeitamente certo de que parecerá um louco."

O poço e o pêndulo

"Também me lembro de que despertavam um vago horror no fundo de meu coração, devido precisamente à tranquilidade sobrenatural desse mesmo coração."

"Tampouco podia esquecer o que lera a respeito daqueles poços: que a súbita extinção de vida não fazia parte dos planos de meus algozes."

"Mas minha alma se interessava vivamente por coisas insignificantes, e eu me empenhava em explicar a mim mesmo o erro cometido em meus cálculos."
"Depois, de repente, apoderou-se de mim uma grande calma e permaneci sorrindo diante daquela morte cintilante, como uma criança diante de um brinquedo raro."

" (...) passou-se pelo espírito um vago pensamento de alegria... de esperança. Não obstante, que é que eu tinha a ver com a esperança? Era, como digo, um pensamento vago - desses que ocorrem a todos com frequência, mas que não se completam. Mas senti que era de alegria, de esperança. Como senti, também, que se extinguira antes de formar-se. Esforcei-me em vão por completá-lo... por reconquistá-lo. Meus longos sofrimentos haviam quase aniquilado todas as faculdades de meu espírito. Eu era um imbecil, um idiota."

A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaall

"Era o que as pessoas chamam uma senhora mulher, e podia tratar muito bem de seus negócios sem a minha assistência. Creio até, para dizer tudo, que ela me olhara sempre como um triste parasita, um simples complemento de peso, um enchimento, uma espécie de homem bom para construir castelos no ar, e nada mais, e que não ficava zangada por desembaraçar-se de mim."

O escaravelho de ouro

" (...) porque na verdade havia no agradável solitário qualidade para despertar interesse e estima. Vi que tinha recebido uma esmerada educação, completada por faculdades espirituais pouco comuns, mas que se achava contaminado por uma aversão à sociedade e sujeito a infelizes alternativas de entusiasmos e melancolia."

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