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O zíper da alma

A poesia é a mão mágica que abre o zíper da alma.
Eu pude senti-la. Anteontem, ontem, hoje pela manhã.
E sei que vou senti-la no dia seguinte. E no outro. E no outro.

A poesia é a mão que puxa com malícia o zíper da alma.
Despindo-a. Revelando-a. Expondo-a ao mundo.
Porque, enquanto vestida, a alma não se abala com os fatos do mundo.
Nua, ela estremece. Nua, a alma teme o mundo.

Entretanto, passado o sobressalto, a alma vive um instante de encantamento. E contempla o mundo. O que era óbvio aos poucos se vai transformando, apanhando sentidos muito além do que a alma podia captar antes, quando coberta.

A alma só é verdadeiramente alma quando assediada pela poesia.