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Poema Ininterrupto - Como a Metamorfose

mudaram as estações e definitivamente tudo mudou, o jogo virou, passaram-se os meses e nada é igual, trocou-se o canal, as lentes, na mente ideias fluorescentes, pensamentos ambivalentes, o coração batendo em outra direção, dissolve-se em abstração, a alma em plena transformação, olhos límpidos para uma percepção inédita, a retina trépida, a metamorfose ininterrupta, mansa ou abrupta, uma mudança a cada segundo, e ainda assim é o mesmo mundo, o mesmo corpo, são as mesmas cores, os mesmos tremores, muda-se o estado, conserva-se a essência, líquido, gasoso ou sólido em uma só frequência, os objetivos variam, as paixões se renovam, os temas se ampliam, e o calor do sangue não se altera, não se opera, sonhos crescem e desfalecem, crianças envelhecem e a infância deveria se prolongar - e sucede? - há quem tente, há que busque, estou tentando!, estou buscando!, e eu me desfiguro, me inauguro, eu desperto, adormeço, me converto, me reverto, troco tudo e mudo nada, me reviro, me atiro, por diferentes estradas busco o mesmo propósito, um desejo apósito, por inúmeras e assimétricas estratégias miro o mesmo alvo, e eu ressalvo - por tudo que almejo eu me reformo, me deformo, me transformo, sempre