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A paz

O inverno, de fato, não desabou em mim tão gélido quanto eu imaginava - sequer nevou nos meus jardins e minhas flores estão intactas, vívidas e tão coloridas quanto o meu espírito ultimamente. Entendo que o regador está nas minhas mãos e eu podia muito bem tê-lo posto de lado e esperado para ver as minhas plantinhas murcharem, para então plantá-las de novo. Mas por quê? Gosto do modo como elas cresceram e do perfume que exala de suas pétalas, gosto do verde cítrico do caule e as folhinhas que tremem tanto quando venta. Por que eu deveria deixá-las partir? Que bobagem, que bobagem.


Veja, está tudo certo e não preciso repetir, o sol toca os campos aqui e um calor suave e aconchegante acaricia minha pele. Sei que trocamos de estação e o ano vira em um piscar de olhos, sei que posso morrer em breve e que ninguém escapa à inconstância... Questiono, mas não me incomodo, não há nada de sobrenatural, isso se chama viver e viver implica mudar, mudar implica perder e é preciso perder para ganhar outra vez, eu tenho dito. De algum modo eu entendo tão bem com o meu coração e a única coisa que me preocupa é o não saber se esse estado é o ideal ou não. Meu coração tem estado imerso em uma estranha paz, uma alucinante paz.