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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2010

Em todas as estações

Eu sempre soube que, quando caísse a tempestade, você não tamparia os meus ouvidos para evitar que eu me assustasse com os trovões. Você me levaria até a janela, apontaria para o céu e sugeriria que eu observasse, de olhos arregalados, o relâmpago, aquele lapso de luz avassalador que faz a paisagem estremecer e o coração perder o ar. Você nunca me escondeu dentro do armário para que os meus medos não me encontrassem. Você nunca economizou verdades. Também nunca me poupou sorrisos. E vou dizer: os seus sorrisos me dão a sensação de que, perto ou não, você nunca, nunca deixará de ser a irmã que as mãos da vida, graciosamente, me confiaram como um presente, com direito a cartãozinho e laço de cetim. Um presente de valor indefectível.


Por que escrevo?

Há vezes em que reflito e tento encontrar quais os motivos que me impulsionam a escrever. Entendo que é uma resposta que metade do mundo tentou e ainda tenta buscar. Muitos já se arriscaram a explicar, justificar por que diabos brincam com as palavras, por que cargas d'água são tão facilmente magnetizados pela linguagem escrita. Suponho que as conclusões sejam sempre as mesmas.

Confissão de que a vida não basta

Se, segundo Fernando Pessoa, a literatura, como toda arte, é a confissão de que a vida não basta, estarão os adoradores das letras eternamente condenados à insatisfação? Porque eu simplesmente mergulho na emoção de escrever e sei que o faço melhor quando as angústias interiores me instigam a expressar, através das palavras, o que não pode ser exprimido de nenhuma outra forma.

Passagens

Hoje é preciso perder para amanhã poder ganhar - disso eu já sei. Mas eu não termino minha partida com sabor de derrota nos lábios, eu sei que o jogo ainda não terminou e ainda posso trilhar esse tabuleiro com meus próprios pés. Não me abate o fim de uma batalha não vencida e eu aponto meu canhão, se necessário. Eu sou o exército todo, entenda: posso lutar sozinha e todos os dias meu escudo reluz sem hesitar. Não é porque tenho inimigos que vou deixar me intimidar; tenho ainda os papéis, as manchas e as sinapses acontecendo incessantemente, tenho os punhos e tenho ele, o coração - estou segura. Posso dançar valsas alheias e assobiar o que não vem de dentro, mas a essência, a célula primária se mantém intacta. Nos meus olhos reside uma espécie trivial de paradoxo: oscila entre a transparência e a ausência de sensibilidade - pois é, isso pode mesmo acontecer às vezes.

Trivialidade da Indigência

Deitam em papelões e perdem sonhos assaltados
Roncam acima do chão, pelo mundo são farejados
Sentimos a repulsa autônoma atravessar a garganta
Por medo encerramos portas de aço quando a lua se levanta

Lutando contra a chuva

Foi por muito pouco - quase permiti que a chuva me cobrisse com seu tempero de melancolia. Lembro-me das noites - ainda esta semana - em que a lua brilhava muito no céu, e alguém me disse que se eu usasse óculos, veria-a muito menor. Não importa. Eu sei é que agora ela está escondida atrás de nuvens carregadas; enquanto escrevo faz silêncio, as gotas cessaram, mas não me esqueço do ruído que fazem ao tocar o topo dos edifícios, os vidros dos carros, não esqueço o som dos pneus deslizando nas ruas molhadas e a cidade cinza em um dia como hoje é quase uma prisão. Mas entenda: libertar-se é só uma questão de vontade, e eu poderia, se quisesse, inclinar-me para onde meus sentimentos me conduzem, que é geralmente a angústia. Sei que não sou a única. Ter uma vida é carregar uma bagagem cheia de bugigangas (comumente conhecidas como experiências) que nos puxa para trás, que tenta nos fazer cair. É preciso ter muita força, é preciso disposição, esquecer as dores nas costas e nos ombros, de ve…

A paz

O inverno, de fato, não desabou em mim tão gélido quanto eu imaginava - sequer nevou nos meus jardins e minhas flores estão intactas, vívidas e tão coloridas quanto o meu espírito ultimamente. Entendo que o regador está nas minhas mãos e eu podia muito bem tê-lo posto de lado e esperado para ver as minhas plantinhas murcharem, para então plantá-las de novo. Mas por quê? Gosto do modo como elas cresceram e do perfume que exala de suas pétalas, gosto do verde cítrico do caule e as folhinhas que tremem tanto quando venta. Por que eu deveria deixá-las partir? Que bobagem, que bobagem.

O grande mistério

É, andei pensando - o resto é realmente um grande mistério, mas você sabe que já não tenho mais tanta certeza quanto ao inverno, afinal? Frio, frio, que se entende por frio? Pode estar um ventinho fresco lá fora, daqueles que racham o lábio e deixam nosso nariz parecer fucinho de cachorro; a gente tenta se aquecer debaixo do cobertor e toma um leite quente, fecha todas as janelas e esfrega as mãos... Mas isso tudo se trata de algo sólido, físico. Nem sempre o inverno tem a capacidade de penetrar os poros da pele e deixar o coração salpicado de neve. Mesmo nos dias cinzentos - como já comentamos - é possível encontrar uma lasca do azul, é possível trazer conforto pra dentro do peito. E eu digo que essa não é a pior estação, não, de modo algum! A gente usa o pretexto do frio para se aproximar das pessoas, e nessa história acaba roçando em um fulano, um sujeito profundo que cospe umas palavrinhas ferventes e de tão emocionada, de tão comovida, a gente deixa as palavrinhas pularem nas pal…

Razão Distorcida

Quantas estrelas viram estátuas de gelo no céu ao findar de uma canção?
Quantas ondas no mar se desfazem quando se dissipa um coração?
Se o arco-íris foi tingido de sete cores
Se o tesouro está guardado a sete chaves
É porque muitas paixões flutuam de continente em continente
É porque muitas paixões levitam e esbarram nas nuvens
E a beleza de tudo que é vida se torna evidente em cada piscar de olhos
Em cada passo de quem encontrou algum sentido em nascer
Em cada passo de quem sabe o por quê de acordar

A letra fora do alfabeto?

Sempre corri contra uma força que não entendo e em direção a um cais desconhecido. Acho que fujo da banalidade. E, no fim, esbarro na verdade inescapável: quero o que todos querem. No fim, apesar de tudo, sou só mais uma. O fato de desejar o peculiar me torna comum e eu o seria mesmo se buscasse o contrário. É uma barreira instransponível - é como cobiçar a inatingível perfeição. E desistir da perfeição talvez seja meu maior desafio. Não existe um lugar só meu. A vida é pública, o mundo está escancarado e é improvável que eu consiga privatizar caminhos que trilhei. Para que busco a singularidade é o que não entendo. Por que vejo as pessoas como uma grande massa compacta de ideias e absurdos? Eu não sei. E o fato de achar que sou o coringa do baralho, a letra fora do alfabeto, o verso arrancado do poema não significa que eu me veja no alto, entende? Oscilo entre a inferioridade e o patamar geral. Afinal, somos todos diferentes, não? Cada indivíduo enxerga em si aspectos que julga não h…

As Cores e o Nada

Destampa-se o delicado pote de plástico, revela-se o líquido cremoso e seus nuances. É como sorvete derretido, em tons pastéis, firmando um pacto infalível com os olhos. Ingênuos olhos.

É quase inevitável não desejar tocar, sentir, talvez até provar seu sabor amargo e ligeiramente ácido. Conferir, afinal, se alma se beneficia dessa peculiar refeição.

O pincel, então, se aproxima. Provoca ondas de êxtase na superfície lisa. As cores se chocam, se entrelaçam. Círculos de tons e vida se projetam. Refletem no vidro da janela, esteja o sol presente ou não. Refletem nos fascinados olhos. Ingênuos olhos.

Reflexão no Consultório

Reflexão na sala de espera do consultório odontológico.

Um ambiente agradável em sua simplicidade. A imperdoável ausência de revistas. Na falta de imagens para distrair meus curiosos olhos, ocupei-me em observar a rua através da grande porta de vidro. Um número incalculável de carros transitava no curto espaço que me era visível. Automóveis que passavam depressa, que corriam contra algo que eu não podia ver nem tocar. Cada uma daquelas máquinas poluidoras parecia exibir uma faixa na qual se lia 'SUA VIDA AQUI'. Mas eu não podia alcançá-las, era impossível. Eram muitas, e cada qual com seu segredo, sua aventura. Cada qual contendo um pedaço essencial de qualquer coisa, aquela qualquer coisa que ninguém sabe o que é, mas de que todos necessitam. E eu, na minha ignorância e incapacidade de acompanhar o ritmo exaustante do tráfego da vida, só conseguia obter um ínfimo pedacinho do pedaço essencial de qualquer coisa. Eu não podia ter tudo. Eram muitas, e passavam com tanta velocid…

Inércia

Foi durante o dia, logo após o almoço, que ela tomou o elevador e desceu. Olhou de esguelha para o céu, pensando sozinha nos seus problemas e suas tarefas. Dali cinco minutos estaria no trabalho. Ah, que preguiça... Mas, antes mesmo de deixar o condomínio, deparou-se com uma cena que a fez despencar em seu profundo poço de reflexão. Era impressionante. Talvez tivesse uma espécie de vício, mas... O cotidiano lhe despertava um sentimento louco, irrefreável, que conduzia seus pensamentos até a mais infinita divagação.

Da Janela

Todos os dias, ao amanhecer, seu sono é interrompido pelo som indecente do despertador, agressivo, insistente, dispersando as imagens de seus sonhos - sonhos de que ela nem se lembra ao acordar. Coça os olhos brandamente, boceja, senta-se na cama e faz uma tentativa - sempre em vão - de contemplar o céu através da janela de seu quarto. Não consegue enxergar mais do que dois centímetros. Uma coleção de prédios altos impedem sua visão. A rede de proteção a obriga a ver tudo em seus moldes quadrados, retos, regulares. Mas que coincidência... Ter que ver somente o que lhe é permitido, da maneira que lhe é apresentado.

Não. Ela quer ver mais. Ela quer ver para onde as nuvens estão indo, de onde o sol está nascendo, para que lado os pássaros estão voando. Inquieta, enroscada entre seus lençóis e indagações, quer se livrar das grades e dos muros de concreto que escondem a beleza da vida, que lhe roubam a doce paisagem da verdade. Ela quer ver além, muito além. Além da janela, da rede, dos p…

Peripécias da Maioridade

Toda vez que há um aniversário, gosto de perguntar o que as pessoas sentem. E antes que me perguntem sobre mim, já digo logo!

Estou prestes a completar meus primeiros dezoito anos de vida, e devo dizer que me sinto, no mínimo, acanhada. Não que o número 18 tenha alguma importância específica; não indica sorte ou azar, nem pretendo apostá-lo na loteria. A verdade é que se trata de um símbolo, o marco entre duas fases distintas. É claro que não vou
acordar na manhã do dia vinte e nove vivendo uma realidade completamente oposta à que vivia até então. Sei muito bem que nada muda da noite para o dia. Esta data representa um processo de amadurecimento que começa não sei quando e acaba não sei onde.

A Cidade e seus Ruídos

Buzinas, apitos, escapamentos estourados, obras em andamento, gritos,
Eventualmente o canto dos pássaros
É só o que posso ouvir da janela de meu quarto
É tudo que posso ouvir da janela de meu quarto
A cidade e seus ruídos, a magnífica canção da modernidade!


O Desconhecido

Pisamos com nossos pés quentes o chão gélido do asfalto. Enormes poças d'água refletiam nossa imagem ao passarmos. Eu já havia notado, ao acordar, que o céu desta vez se abria cinzento, mas a sensação que trazia não era de melancolia. Era mais como um convite, como quem dissesse 'venha e exale o calor do teu corpo para afastar as lástimas deste mundo frio'.

Leve Encanto

Peguei o metrô pela segunda vez nesta semana. Ah, é, eu ainda me sinto um pouco alheia à toda essa agitação de São Paulo, porque é inegável que tenho vivido nos limites fronteiriços do meu bairro. É provável que no próximo ano - caso ingresse numa universidade - eu comece a fazer parte das grandes multidões hipnotizadas pela pressa que vão e voltam durante todo o dia. Enquanto isso, permito-me a sensação de surpresa e, de certo modo, encanto, quando abandono o conforto do Tatuapé para visitar lugares mais distantes.

Sete de Setembro de 2008

(NOTA: este texto foi publicado no livro Universo Paulistano II, da Editora Andross.)

Era uma manhã em que o céu se encontrava indeciso; o sol se escondia atrás de nuvens ralas, que formavam desenhos, obras de arte estendidas na imensidão azul. As árvores quase não se moviam, não ventava tampouco chovia, mas o ar pairava levemente gélido sobre a cidade.


Uma Pausa

O tempo estava correndo em disparada
mas de repente o tempo parou
O tempo já não se move mais
O tempo estacionou para eu poder respirar
uma pausa, uma pausa
Um suspiro de alívio
Oh, o tempo parou!

É tão incomum que tenha reduzido sua velocidade,
tempo!
É tão incomum que tenha me dado uma chance,
tempo!

Reciclo a oportunidade perdida
O relógio enguiçou, olha só, é hora de me mexer
Aproveito, aproveito:
o tempo parou para eu poder respirar!


Quando o Anjo Subiu

E quando o anjo subiu, tiveram que cortar a árvore, tirar os móveis, limpar as paredes. Jogaram fora a vitrola velha e os discos de vinil eu nem sei que fim tomaram. Quando o anjo subiu tanta lágrima escorreu, tanta foto desbotou, tantos sorrisos eu esqueci; o mercadinho lá em cima também não lembro qual o nome nem qual era o preço dos pãezinhos na época.

Mas me recordo das vezes que jogamos baralho e eu perdi, me recordo dos cafés da manhã e das noites que passamos em frente a televisão, silenciosamente concentrados. E junto com o anjo subiu parte considerável do meu passado, subiu minha infância.
Não sei como que é que anda o quintal - se ainda existir, tenho certeza de que o anjo ainda o observa, lá das nuvens. Tinha uma árvore no telhado também, é! Acabei de me lembrar! Com certeza se desfizeram dela - é uma pena, pobre plantinha.

Lembro que a TV não tinha controle remoto e que às vezes entravam insetos asquerosos por debaixo da porta dos fundos, eu tinha pavor, corria logo a pro…

Poema (Quase) Ininterrupto - Como as Águas de Outubro

águas de outubro, desaguando em ruas inclinadas, enchendo bueiros e rios, atacando guarda-chuvas, atingindo os telhados, como pedras, escorrendo pelos vidros, como lágrimas, as águas de outubro e os pneus deslizantes, luzes que se apagam, janelas que se fecham, e a chuva vem, a chuva vai, o dia nasce, o dia morre, a vida passa, sirenes e buzinas anunciando o caos, canção de ninar ao anoitecer, suspiros de incômodo ao pisar na calçada, águas de outubro girando os moinhos do tempo, o ponteiro se movendo, eu escrevendo e a hora passando, o mundo rodando, o mundo acabando, a chuva caindo e eu envelhecendo, os carros correndo, as flores murchando, águas de outubro rolando e eu respirando, o tempo voando e eu imóvel aqui, ali, acolá, inquieta em mim, o corpo inerte e os sentidos eufóricos, explosivos, e as águas de outubro regurgitadas pelo mar, que eu não vejo, eu imagino, a imaginação levada pelos minutos, agora se esvaiu, sumiu, onde está? águas de outubro que varrem a paz, que em suas …

Poema Ininterrupto - Como o Tempo

'But after a while
you realize time flies
and the best thing that you can do
is take whatever comes to you
'cuz time flies'

(Porcupine Tree)

e continuamente, gradativamente, a vida segue seu curso, ininterruptamente, os ponteiros do relógio eventualmente se obstem, mas o tempo ainda vem, persistente, violentamente, a felicidade em pausas, vacilante, esporádica, trepidante, por vezes sádica, impontual, atemporal, a dor quase sempre imperial, o sonho quase sempre artificial, as horas velozes, atrozes, quase nunca escutam nossas vozes, racionais, inflexíveis, competentes, impassíveis, minutos voam, discretamente, solenemente, não olham pra trás, correm do presente, 'futuramente', 'daqui para frente', e o momento se vai, o suspiro se esvai, se perde no ar, tão fácil se enganar, tão simples se perder, o tempo a te entrever, diariamente, precisamente, entre as frestas da rotina, a verdade é cristalina, 'amanhã talvez não chegue', pacientemente, humildemente, d…

Poema Ininterrupto - Como o Amor

muitos vocativos em nossa paixão sem imperativos, corações hiperativos, a todo vapor, eu me rendo, não me arrependo, com os olhos vendados para todo o resto fui induzida por um único gesto, fiz trocas inusitadas com a vida e juro que estou decidida sobre o que quero, sobre o que espero, não há mistério, mesmo sobre o chão volúvel dos sentimentos, mesmo com a tormenta de intrínsecos pensamentos, eu sei que é você, não preciso saber o porquê dos seus verbos de ação, de ligação, dos seus sorrisos e da emoção, somos duas orações atadas por subordinação, nossas mãos unidas, porque anseiam, porque se almejam, nossa energia compartilhada é a saída, o remédio pra qualquer ferida tenha sido aberta em nós ou que essa existência desumana tenha nos causado, mas agora com você a disforia é passado, e ao seu lado a lágrima é quase um pecado, daqui pra frente só a beleza nos espera, daqui pra frente enfrentaremos juntos a fera, a esfera da vida, o furioso universo que desalinha os planetas, que dese…

Poema Ininterrupto - Como a Metamorfose

mudaram as estações e definitivamente tudo mudou, o jogo virou, passaram-se os meses e nada é igual, trocou-se o canal, as lentes, na mente ideias fluorescentes, pensamentos ambivalentes, o coração batendo em outra direção, dissolve-se em abstração, a alma em plena transformação, olhos límpidos para uma percepção inédita, a retina trépida, a metamorfose ininterrupta, mansa ou abrupta, uma mudança a cada segundo, e ainda assim é o mesmo mundo, o mesmo corpo, são as mesmas cores, os mesmos tremores, muda-se o estado, conserva-se a essência, líquido, gasoso ou sólido em uma só frequência, os objetivos variam, as paixões se renovam, os temas se ampliam, e o calor do sangue não se altera, não se opera, sonhos crescem e desfalecem, crianças envelhecem e a infância deveria se prolongar - e sucede? - há quem tente, há que busque, estou tentando!, estou buscando!, e eu me desfiguro, me inauguro, eu desperto, adormeço, me converto, me reverto, troco tudo e mudo nada, me reviro, me atiro, por d…