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Eu não vou chegar lá.

Eu já cheguei a vários lás. Não existe um lá total.
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A música eletrônica

é uma das formas não verbais que tenho de me sentir identificada. Ela me dá a sensação de estar se movimentando da mesma forma que meus pensamentos, parece ter a mesma dinâmica das diferentes esferas da minha conexão.  É quase como se eu pudesse ver as pecinhas dos meus insights se movendo dentro da minha cabeça. Às vezes calma, às vezes em tensão, expectativa, crescente, clímax, um movimento que nunca cessa, que inclui, que exclui, que vai, volta, mescla passado e futuro, mescla realidade e seu inverso. É como uma representação melódica do próprio fluxo de pensamento.

A culpa

Hoje a culpa avançou para um estágio em que já não tem exatamente uma forma. É a culpa despersonificada, desvinculada de suas origens, o sentimento em si, acionado mediante certos estímulos que procuro evitar. Talvez esta culpa específica permaneça indefinidamente na sala do inconsciente junto com as outras, anteriores, simultâneas e futuras, que eventualmente também vão se desassociar de suas causas originais. Talvez todas as culpas estejam destinadas a perderem suas formas em algum momento para se mesclarem em uma única substância – a culpa primordial, a mãe de todas as culpas. A culpa que tem a ver com o embate entre os instintos e a renúncia. Que tem a ver com o buscar experiências sem critério, sem contemplação paciente dos fatos.

A tensão primordial

Eu operei todas as mudanças necessárias nos últimos tempos porque não suportava mais me deixar afetar pelas tensões alheias. Agora, me vejo exatamente onde eu (sentia que) deveria estar: pronta para trabalhar com as minhas tensões, livre de interferências – ou, ao menos, das interferências que inevitavelmente transbordavam em mim e impediam que eu pudesse divisar, identificar e futucar minhas próprias tensões. Não sei ao certo quais são elas, em que consistem, mas aqui estou, sozinha comigo, diante de todos os elementos que estiveram vagando no meu inconsciente enquanto eu trabalhava com foco nas questões externas, práticas e materiais da minha vida. Agora, as tensões me observam, sem nada que se interponha entre nós. 
O que estou encontrando agora são as minhas tensões mais profundas? Haverá questões ainda mais profundas que estas? Para acessá-las, o que mais devo sacrificar? Se esta é a última camada de tensões, o que haverá depois delas? Ou será que estas tensões são insolúveis? E…

Nesta espiral de abundantes mudanças

vez ou outra temo a sensação de incoerência da minha própria vida. Para não me deixar abalar, procuro visualizar a linha que conecta tudo, cada recorte, o elo entre as cadeias de certezinhas. Não importa que minha linha seja toda remendada, com distintas cores, tamanhos e texturas: o importante é que ela exista e que eu seja capaz de ressignificá-la de tempos em tempos.

A experiência como linguagem

Andei pensando que a minha necessidade de experiência está intrinsecamente – mas não apenas – relacionada com a necessidade de produção de sentido, que, por sua vez, se relaciona com a maneira como articulo as diferentes linguagens. Como seres sociais, temos a língua, a linguagem verbal como meio privilegiado de comunicação, mas há também outras linguagens, mais sensíveis, por meio das quais podemos estar no mundo. Sinto que meu desejo mais profundo, o que está no cerne de tudo ou o que inconscientemente pauta as minhas ações, é expandir as redes que intermedeiam a minha relação com o mundo, sofisticar o meu estar-no-mundo. A experiência seria então uma linguagem em si, a linguagem do meu corpo, um sistema próprio; o processo de transformação dos sinais em signos se dá pela experiência mesma. 
Sofisticar quer dizer aprimorar, refinar, e não ampliar, expandir. Sejamos honestas (eu comigo mesma): não adianta falar apenas do que está funcionando (a ampliação) – o importante e que deve s…

Este lugar existe e fica com a porta fechada dentro de mim

Falar dele é abrir a porta e observar, a uma distância segura, as culpas que dançam uma dança maligna ao longo de um labirinto. Falar deste lugar é olhar para ele sem me perder lá dentro. Entrar, no entanto, é cruzar o limite seguro entre o eu de todos os dias e o eu que fica preso neste labirinto. Hoje eu entrei. Eu entrei e a porta se fechou atrás de mim. Hoje eu olho as culpas bem de perto, dentro de seus olhos de pupilas dilatadas. Elas me tocam, me alisam, me abusam, me abraçam, me prendem, dançam comigo à força, me obrigam a sentir a materialidade de seus corpos, me obrigam a lembrar que elas existem e que basta abrir a porta e entrar para sentir com cada célula do meu corpo que elas estão lá, o tempo todo. Todas as culpas se reúnem no labirinto, todas, desde a minha mais tenra idade até o instante presente. Algumas já nem posso reconhecer mais, seja porque são muito antigas, seja porque não são tão fortes a ponto de sobreviverem numa materialidade concreta por muito tempo. Out…

Mais uma noite que vou dormir e não te escrevi

Mais uma noite que enterro a cabeça no travesseiro sufocada no dilema entre te dizer que não te esqueci apesar de todas as tentativas e saber que mais uma vez te buscar é inadequado, mais uma noite chegando à conclusão de que não sou exatamente quem pensava que era, que não estou no controle de nada, que não sou tão forte quanto eu pensava, que sou frágil, vulnerável, que sei que amanhã vou erguer a cabeça e vida que segue mas que quando chegar a noite mais uma noite eu vou deitar e lembrar de você e da vida que não vivemos juntas e dos planos que finalmente saíram das conversas de WhatsApp e que pareceram tão perto de se realizarem, as promessas nas quais acreditei e não acreditei ao mesmo tempo, que pareciam tão perto e tão longe ao mesmo tempo, perto porque você me olhava e me tocava enquanto me explicava passo a passo o que ia fazer para que pudéssemos ficar juntas, mais uma noite eu deito e lembro daquela tarde de inverno você assoprando um dente de leão e me dizia tudo o que eu…

Como o mochilão me ajudou a entender a minha sexualidade

Para iniciar, quero tentar explicar de maneira simplificada o conceito de não referencialidade que venho trabalhando nos últimos dias e que tem balizado as minhas recentes reflexões. É a partir dessa hipótese que construo a verdade sobre meus processos atuais, pois viajar, para mim, é um movimento na direção do não referencial. Com isto quero dizer que, ao começar a mochilar, me afastei do que era referencial para mim, ou seja, do que era familiar. Estar sempre na estrada é, de algum modo, abrir mão do referencial de lar, de suporte, lugar de repouso – não geográfica ou fisicamente, mas no plano das ideias e dos sentires. É claro que é perfeitamente possível que o desconhecido venha a se transformar em conhecido num contexto de viagem, transcendendo os limites básicos da dualidade familiar/não familiar e convertendo-se, também, em lugar de repouso psíquico e afetivo – como, por exemplo, um amigo mochileiro que diz que sua família é onde ele estiver, ou seja, em qualquer lugar do mund…

Roxinho na pele

Depois de um tempo sem me autoaplicar reiki, me lembrei de todas as vezes em que discuti comigo mesma por não tê-lo feito antes para ficar desprotegida em minhas outras dimensões de existência. Criei meu ritual, como de costume, desta vez na varanda do apartamento onde estou vivendo. O céu tava excepcionalmente azul. Acendi um incenso, botei meu fone (ouvindo isto: https://www.youtube.com/watch?v=6ZTiinja7Ys&t=2s) e deitei no sofá que fica lá fora. Batia um sol delicioso. Tentei diversas vezes entrar na minha praia mágica (um lugar que criei para me visitar e conversar comigo quando preciso), mas ela simplesmente não surgia no meu campo visual. Senti algo de desespero ao caminhar dentro de mim. Quando comecei a aplicar na garganta, comecei a chorar porque pensei em L. Os pensamentos que tive foram bem confusos, como num sonho. Imagens borradas, não podia distinguir. Só sei que doía e eu precisava chorar. Depois, chegando ao coração, ainda como num sonho, eu me disse: dor não é so…

O mundo é escorregadio

Os insights são escorregadios. No momento mesmo em que agarro um, em que penso tê-lo seguro entre os dedos, o insight já começou a perder seus limites e a deixar nascer novas possibilidades de insights, como que numa mitose. Os novos insights igualmente vão escapando entre os dedos e deslizando na superfície frágil da consciência, vão se acocorando no canto escuro da inconsciência, onde tenho que ir buscá-los mais tarde. Mas como?

No meu recorte de vida atual: a peteca entre i) o desejo de viver a experiência e satisfazer uma necessidade recalcada, o sentimento de que talvez amanhã eu não tenha o mesmo leque de possibilidades de experiência para viver e que devo, portanto, aproveitar e ii) o desejo de transformar a experiência e os insights resultantes em criação. Não importa qual. Do impossível equilíbrio destes dois desejos depende a paz que busco hoje.

Por que não consigo abrir mão do desejo de viver a experiência? Tópico para novos rabiscos semiconclusivos.

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"[...] Pene…

Não referencialidade, contornos, recortes

Depois de alguns (poucos) dias enclausurada em casa e absorta na análise da minha cosmologia, saí para beber com LCL e seus amigos e foi um baque. 
O primeiro impacto, na verdade, foi antes do “carrete”, quando eu e LCL sentamos na grama do Parque Forestal para fumar um. Acessei uma vez mais aquele lugar dentro de mim que me atormenta com paranoias sobre a maneira como estou me portando, a interminável dúvida sobre se estou agindo estranho, se estou quieta demais ou se estou falando bobagem. Eu não sei bem se meu ingresso nessa sala de perturbações psíquicas quando fumo se deve ao contexto em que estou no momento, à qualidade ou espécie da erva ou a alguma predisposição minha. A última hipótese acredito que seja a mais improvável, porque ontem eu vinha de um estado de espírito bastante equilibrado, embora vigoroso por causa das ideias e vontade de criar que ando sentindo, então a princípio não faria sentido a maconha intensificar sensações perturbadoras já presentes em mim. Talvez te…

Banho quente, estados de consciência, referenciais, música eletrônica

Baixei alguns discos mais recentes do Depeche Mode no Spotify e fui tomar banho de banheira ouvindo um deles. Como sempre, deixei a água bem quente, na temperatura exata para despertar aquele prazer sem igual que sinto com o calor na minha pele. A sensação de prazer é tão intensa que muitas vezes chego a sentir um estímulo para me masturbar. Isto é bastante frequente. No entanto, na maior parte das vezes, como hoje, acabo descobrindo que o prazer que sinto não é sexual, mas de outra ordem. Em algumas ocasiões pode até estar combinado com um prazer sexual, mas aparentemente há um outro nível de prazer que sou capaz de acessar com a água quente. É um prazer que também sinto quando tomo sol. Lembro de vezes quando estava na Posta e me deitava para tomar sol na grama, ouvindo música, e às vezes os raios de sol me caíam entre as pernas e eu sentia um prazer muito forte saindo do meu útero e subindo por todo o corpo. Nesse caso em especial não era muito conveniente tentar descobrir se o pr…